BALELAS E QUINQUILHARIAS

João Silva

Estudo um pouquinho, leio um pouquinho, me informo o que posso pra não ser um imbecil, entre outras coisas; e não sendo um imbecil sou obrigado a reconhecer que José Sarney continua o mesmo, sem que algumas lições tenham servido de alguma coisa, para lembrar revezes como a eleição de Janete Capiberibe, que tentou impedir, a derrota da filha no Maranhão e a vitória apertada para o Senado.

Eu também não mudei. Continuo achando que o senador acha que somos passivos, que aceitamos passivamente a liderança que nos impõe, o que não é verdade, embora Waldez Góes e o resto dos seus lisonjeadores insistam em passar ao ex-presidente, em nosso nome, atestado de consentimento geral e irrestrito. Sarney tudo pode neste lugar.

Tanto pode (e como pode!), que indicou maranhenses exonerados pelo governo do Maranhão para representar o Governo do Amapá em Brasília, vários deles sem nunca terem vindo à Macapá; ou não é o mesmíssimo que nem corou a face ao importar do Maranhão, para sua campanha, picapes dirigidas por maranhenses numa terra de desempregados?

Sarney não vai ao Congresso, não repercute nada sobre nós, sobre a nossa terra, sobre as agruras do povo amapaense; não se importa com o caos na saúde, com a exacerbação da criminalidade consumindo o sangue de inocentes, amedrontando cidades pequenas, populações pequenas como as de Macapá, Santana, Laranjal do Jary, aonde não se chega a não ser de barco ou de avião!

Quando vai ao Senado, fala sobre o Maranhão...Critica o governador Jackson Lago, lembra o governo da filha, defende a construção do Aeroporto de São Luis, exalta as belezas dos lençóis maranhenses! Não espere uma palavrinha sobre nós, sobre as recentes operações da Polícia Federal no Amapá, porque o homem não é dado aos ossos do ofício.

Gosta muito de prometer, de abençoar, que não custa nada; gosta do papel de Deus que exerce por aqui jogando com as pessoas, agindo nos bastidores, pegando forte no pulso fraco do governante de plantão, exigindo cargos e tratamento de rei; lá fora, está de olho na limitação da CPI do “Apagão” que pode revelar verdades que gostaria de manter escondidas sob o tapete dos três poderes da república; eu disse pode, porque duvido muito que o faça.

Sarney é mau, tenta enredar parte da esquerda do Amapá, usa todo seu poder pra destruir quem não se submete às ordens que dita; na última visita ao estado teria feito convite ao Delegado da Polícia Federal para assumir cargo de Secretário de Segurança Pública; se for verdade, é uma tentativa de colocar uma saia justa na PF, cujas ações vem atingindo aliados e colocando em xeque a saúde moral do governo.

Num país civilizado, em que a política e os políticos são magnânimos, servem à pátria e não se servem do poder para tudo poder, a figura de um ex-presidente não se presta ao jogo raso das disputas por cargos para amigos e familiares, não estimula a impunidade, não beija, não abraça aqueles que, em alguns casos até mais de uma vez, já avançaram no dinheiro do povo, mas se eleva, isto, sim, ao nível da defesa da sociedade para visualizar o Estado e as suas necessidades. Por aqui, poderosos de plantão dizem comumente que estando com Sarney na pega nada.

Claro: não fosse o abuso do poder econômico o ex-presidente não teria mais 8 anos de mandato, não continuaria uma história de 16 anos sem poder dizer o que povo amapaense ganhou com essa relação, além de um posto avançado do Sara, uns motores velhos trazidos da Rússia e as promessas de sempre. Os amigos do Sarney, estes, sim, ganharam, e o Maranhão pode dizer que ganhou a Vale, o Porto de Itaqui, o Linhão de Tucuruí, e a Ferrovia Norte-Sul.

Recentemente esteve aqui fazendo tempestade em capo d’água; imediatamente quase 30 jornais financiados pelo governo cercaram o homem, as emissoras de rádio e tv que formam o império de comunicação dos aliados não deixaram por menos: montaram plantão na expectativa da “boa notícia” soprada aos quatro ventos por afilhado repercutindo a “visita” do chefe no “buca de ferro”.

A bomba era a “Siderúrgica do Amapá”, empreendimento que na verdade pertence ao amigo de Sarney, empresário Eik Batista, impedido por Evo Morales de continuar investindo em solo boliviano. É uma quinquilharia que está trazendo para beneficiar o dono da MMX que não vai pagar nada para transportá-la até onde estamos;certamente não será a redenção do Estado nem o livrará da malsinada economia do contra-cheque.

Portanto, nada de mais além do fisiológico Sarney que todos conhecem agindo em causa própria, e na sombra, como sempre foi sua vida na política.