2003, UM ANO PERDIDO PARA O BRASIL

Renivaldo Costa - jornalista

Longe das desconfianças provocadas pelos comentários de políticos de oposição, o IBGE, um dos órgãos do governo especialista em pesquisas e avaliações, sentenciou o ano de 2003 como um ano perdido para o mercado de trabalho. A avaliação leva em conta os índices apresentados até agora, dos quais não se pode abrir mão como referência.

Nem a queda da taxa de desemprego assinalada em novembro ao ser comparada com a de outubro fez com que a quantidade de emprego aparecesse como estatisticamente significativa. Por conta disso, há razões para se acreditar que a situação do emprego neste ano está pior do que no ano passado.

Para exemplificar o quadro, existem informações oficiais de que o emprego informal cresceu em 2003 de 40,9% para 42,6% da população ativa e, embora dois números de acréscimos pareçam pouco para um crescimento negativo, numa análise comparativa da população trabalhadora do país, é muito alto.

Torna-se desnecessário explicar que quando o número de empregos informais sobe é justamente por conseqüência da elevação do desemprego, visto que logicamente nenhum trabalhador deixa o mercado formal e suas garantias trabalhistas por vontade própria.

Historicamente, as taxas de desemprego caem no país a partir do mês de julho, o que não vinha ocorrendo neste ano. Esperou-se que elas acontecessem nos dois últimos meses do ano, com o aumento do consumo e contratação de mão-de-obra temporária, mas as expectativas nestes sentidos foram frustradas também.

O quadro de desemprego e emprego é basicamente o que vem sendo composto nas demais áreas do país.

A informalidade do mercado de trabalho continua em expansão no Brasil e isso gera outros problemas que vão além dos já conhecidos da população. O país perde em arrecadação de impostos, perde em melhoria da qualidade de vida da população e também na imagem de nação politicamente correta e respeitadora do princípio de valorização de seu povo.

Como se não bastasse, a reforma tributária que o congresso aprovou não acaba com um problema histórico: o excesso de tributos, que muitas vezes incidem em cascata e oneram indústria e comercio, emperrando o crescimento do País e gerando mais desemprego.

O modelo econômico adotado por Lula em seu primeiro ano de governo foi o mesmo de FHC. Não deve ter sido à toa que Fernando Henrique Cardoso teria declarado ser Lula “um neoliberal”.

A expulsão dos radicais do PT também mostra uma ferida que só tende a crescer: a falta de coesão nas ações políticas do governo. Por conta dessa falta de união, creio, sinceramente, que o partido tende a desaparecer depois de seus anos de mandato (que, espero, sejam somente quatro).

No mais, não há muito o que comemorar no cenário nacional. Em vez disso, é melhor depositar esperanças em um ano melhor, com medidas que possam reverter a situação atual. Seguir o exemplo do Amapá pode ser um bom começo. Somente no primeiro ano de mandato, Waldez Góes retomou as obras da BR-156, iniciou a pavimentação da AP-070, criou um fundo de desenvolvimento para todos os municípios, realizou a maior feira agropecuária da nossa história, concebeu programas sociais como o Luz e Água para Viver Melhor, ampliou outros programas como o Bolsa Família Cidadã e ainda teve fôlego para contratar servidores, ampliando, assim, a eficiência do serviço público. Como se vê, se Lula seguir nossas lições, nem tudo estará perdido para o Brasil. Como diria Paulo Francis: “O Brasil precisa deixar de ser uma republiqueta comandada por um jeca”.