Agricultura e Cooperativismo

Milza Barreto
Pesquisadora II - Área: Socioeconomia
Embrapa Amapá


A agricultura de base familiar tem por preocupação básica a preservação da unidade produtiva, onde a principal fonte de trabalho e renda provém da família. Neste caso, em geral, a produção está direcionada para o autoconsumo e comercialização. Em contraponto, as explorações patronais perseguem a manutenção da taxa média de lucro, com reduzida utilização de mão-de-obra, privilegiando o cultivo de gêneros de expressivo valor comercial. A ênfase recai na produção para exportação, em função do elevado poder aquisitivo dos consumidores internacionais. É comum ocorrer a presença do latifúndio absenteísta, caracterizado pela moradia dos proprietários rurais nos centros urbanos. A estrutura fundiária concentrada tem sido um dos fatores responsáveis pela expulsão do trabalhador do campo. Para os pequenos produtores, ocorre a dificuldade de acesso ao crédito bancário, que normalmente vincula o financiamento à efetivação de garantias legais, como a propriedade da terra e a adoção de pacotes tecnológicos.

A produção agrícola requer agilidade na alocação dos produtos nos mercados de consumo, devido à elevada perecibilidade. No processo de comercialização, o pequeno produtor se torna refém das conexões estabelecidas à montante na aquisição de insumos, e à jusante, através da ação da intermediação. A urgência de efetuar a venda do produto para aquisição de bens não produzidos na unidade produtiva, transformam os intermediários em compradores preferenciais. O encurtamento do circuito de intermediação, das áreas produtoras para os mercados consumidores, significa a elevação da margem de lucro e redução dos custos através da exclusão da figura do intermediário.

A agricultura segue um modelo que se aproxima dos pressupostos econômicos da competição perfeita, caracterizado pela existência de um grande número de ofertantes de produtos com características semelhantes. Para contrapor as diferenças existentes entre pequenos e grandes produtores, a formação de cooperativas tem se mostrado uma opção interessante. Uma cooperativa é caracterizada por um conjunto de pessoas unidas para satisfazer aspirações e necessidades comuns, baseada na igualdade de direitos e deveres. O cooperado é, simultaneamente, trabalhador e dono do negócio, exercendo assim, duplo papel. A importância do cooperativismo reside no fato de ser um sistema que visa a distribuição dos ganhos provenientes do trabalho conjunto, almejando não apenas objetivos econômicos, mas também sociais. Logo, a necessidade de qualificação da mão-de-obra está de acordo com o papel social exercido pela cooperativa. Neste sentido, o cooperativismo apresenta-se como fator primordial na afirmação do desenvolvimento e da democracia. No entanto, a experiência prática tem demonstrado que as cooperativas cumprem sua função social somente após terem obtido êxito em suas atividades econômicas. Por este motivo, tem predominado a análise do papel econômico das cooperativas.

Também, a organização produtiva no formato de cooperativas garante a adequada escala de produção e regularidade da oferta agrícola. Os benefícios do trabalho solidário se traduzem, por exemplo, no aumento do poder de negociação e na compra conjunta de insumos que diminui os custos de produção. Neste sentido, é oportuno lembrar os esforços realizados pela Embrapa Amapá, através dos objetivos estratégicos do quadriênio 2004/2007, que contempla a agricultura familiar, no sentido de auxiliar a reverter o quadro de dependência dos pequenos produtores via transição para uma produção de base mais comercial.