Abrigo São José, 58 anos acolhendo nossos velhinhos

Texto: Edgar Rodrigues

Podemos dizer que a Assistência Social prestada aos velhinhos do Amapá teve inicio em 1946, ano em que foi inaugurado o Abrigo São José. A instituição filantrópica governamental começou a funcionar no dia 20 de outubro, e ao longo de 58 anos vem sobrevivendo, graças ao apoio de vários voluntários e anônimos, e a assistência religiosa prestada por varias instituições religiosas, que na medida do possível tentam amenizar o isolacionismo, a discriminação e a segregação a que esses velhinhos são impostos.

Nos primeiros anos de funcionamento, a instituição começou atendendo qualquer pessoa idosa, tanto os que tinham parentes, como também os abandonados e entregues à própria sorte, e os que optavam -mesmo tendo filhos - a morar numa instituição onde poderiam conviver com pessoas da mesma faixa etária.

A partir de 1965, em razão do aumento da população de velhinhos, o ingresso à instituição começou a ser feito por meio de triagens, levando-se em conta a situação sócio-economica de cada um.

Em 1979 o Abrigo ganha mais força: o governador Annibal Barcellos institui, através de decreto, a AVA - Associação dos Voluntários do Amapá, que passou a dar apoio à instituição.

Atualmente a administração da instituição, assim como a sua manutenção, são feitas através do Governo do Estado, via Setraci (Secretaria de Estado do Trabalho e da Cidadania).

Em 24 de abril de 1968, é inaugurada uma capela católica pelo bispo de Macapá, dom José Maritano, que dedicou-a a Santa Rita. Para a assistência religiosa aos velhinhos foram designados os padres do Hospital São Camilo. A partir daí, a capelinha passou a intermediar a visita dominical da população próxima, que passou a assistir a missa, e a se interessar melhor pelos velhinhos.

Para se ter uma idéia, a Casa-Abrigo, que no momento de sua inauguração possuía 28 velhinhos internos, hoje abriga uma população de 210 pessoas da terceira idade.

Também eles ganharam mais um presente: a assistência religiosa e social dos padres capuchinhos instalados na Igreja de Santo Antonio (ao lado do Hospital São Camilo), conjugada com a presença das religiosas católicas carmelitas, que com suas presenças procuram tornar a vida daqueles velhinhos mais amena.

Há de se ressaltar também, a ajuda de várias instituições religiosas como os mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), adventistas, instituições espíritas e movimentos orientais como a Igreja Messiânica e a Perfect Libert.

Quando a causa é valorizar aqueles que deram toda uma vida no trabalho, no dia-a-dia e em prol de um mundo melhor, vale a pena serem lembrados permanentemente esses primeiros construtores do Amapá, tanto na fase territorial como também nos primeiros anos do Estado.

E a instituição, dentro dos limites a que está imposta, procura amainar as dores e valorizar esses soldados do tempo, que um dia foram jovens como nós.