Alceu Ramos, um patriarca tucuju

Texto: Edgar Rodrigues

Se o professor e contabilista Alceu Paulo Ramos estivesse vivo, hoje ele completaria 83 anos. Nascido em Macapá, precisamente na localidade de Santo Antonio da Pedreira, em 18 de dezembro de 1921, Alceu foi uma das raras figuras morais do século. Sabe-se que sua ficha funcional é limpa, e em todo o seu exercicio laboral nada consta que possa ter sua conduta desabonada. É um dos poucos que possui este privilégio.

Filho de Macapá, Alceu foi, além de educador - por várias décadas - também um contabilista. Em sua época o profissional de contabilidade era denominado de “guarda-livros”.

Desde cedo passou a cultivar valores culturais e moras das famílias tucujus. Seu primeiro professor, José Pereira, ensinou-lhe, além das primeiras letras, o amor civico à terra, além da valorização da familia. Antes dos 18 anos já trabalhava, sustentando seus pais e irmãos. A primeira escola que frequentou foi a Escola Primária de Macapá, hoje extinta. Os nomes dos primeiros professores nesta escola, Iraci Nunes Nadler e Oracy Alencar, Alceu guardou-os como recordação até os ultimos dias de sua vida.

A sua primeira missão, como servidor do Amapá, aconteceu aos 23 anos: em 01 de novembro de 1944 ingresso no governo do então Território Federal do Amapá como oficial da Comissão de Abastecimento e Preço. Com esse, Alceu Ramos colecionou até 1997, várias missões prestadas à sua querida terra natal.

Das mulheres tucujus, e de seus grandes amores, o guerreiro escohe Joaquina da Silva como sua eleita. Desse consórcio, nasce a geração do patriarca: Doralina (a única filha mulher), Alceu Filho (que muitos anos trabalha como parlamentar da Camara Municipal de Macapá), José Paulo (educador), Anselmo (já falecido), Raul, Jupiran e Paulo José, que também, a exemplo de Alceu Filho, resolveu militar para as fronteiras da politica.

Tive oportunidade de conhecer o velho guerreiro. Uma das lembranças indeléveis que ficaram marcadas na minha mente: um dia, quando convidado pelo seu filho Paulo José - na década de 60 - observei o quando ele era aguerrido e respeitado “in family”. Todos reunidos na mesa, o almoço só começou quando Alceu, após fazer o “sinal da cruz”, deu o ponta-pé inicial, pegando o garfo e a faca. Assim, todos iniciaram o almoço. Meu amigo Paulo José me explicou, depois, que seu pai sempre foi meticuloso em tudo. “Foram exemplos de meu pai como esses, que moldaram a vida de todos nós”, confessou-me Paulo José em 1984, quando éramos universitários em Belém e dirigíamos a Associação dos Universitários do Amapá - AUAP,

Alceu Ramos bem que podia receber uma homenagem além de ter dado seu nome a uma rodovia amapaense. Em 16 de fevereiro de 1997, já com 76 anos, foi dado a ele o privilégio de descansar entre os eleitos, que consguiram realizar seus sonhos e morrer na terra natal. Que Deus todo Poderoso o tenha, e que seu exemplo fique sempre gravado na memória do povo tucuju. Esta é a minha homenagem a Alceu Paulo Ramos, um patriarca tucuju.