Rosh Hashaná - o Ano Novo Judaico

Por: Daniel Presman

Nesta quarta-feira, dia 15 de setembro, ao anoitecer, será comemorado o ano novo judaico, ou Rosh Hashaná. O Rosh Hashaná marca o início de um período conhecido como "As grandes festas", constituído pelas três festas celebradas no mês judaico de Tishrei.

Segundo a tradição judaica, esta data marca o aniversário do mundo, ou, mais precisamente, da criação do homem que, de acordo com a bíblia, ocorreu no sexto dia da Criação. De acordo com esta tradição, entramos no ano de 5765.

Esta festa agrega um grande número de costumes e tradições.[1] As famílias se reúnem para um jantar no qual, além de fartos pratos, costuma-se comer maçãs cobertas com mel. A fruta embebida no mel simboliza nosso desejo de que o próximo ano seja bom e doce. Outro costume em Rosh Hashaná é ouvir o toque do shofar (chifre de carneiro), que soa em todas as sinagogas.[2]

Porém, o principal aspecto de Rosh Hashaná, é que este dia é considerado o "dia do julgamento". Em Rosh Hashaná, Deus julga todo o mundo, de acordo com suas ações no ano anterior, e proclama decretos para o ano que virá.

O mês de Elul, que antecede o Rosh Hashaná, marca o início da preparação para o dia do julgamento. Nesta época, os judeus procuram fazer mais caridade, rezar com mais devoção e procuram fazer teshuvá. Teshuvá significa retorno, mas costumamos traduzir esta palavra como arrependimento. Trata-se de um processo no qual o indivíduo reflete sobre suas ações, percebe o que fez de errado, se arrepende do que fez e tenta consertar seus equívocos, retornando assim ao caminho correto.[3]

Portanto, Rosh Hashaná é também uma festa que requer profunda reflexão. É um dia onde os judeus devem refletir sobre suas ações no último ano e procurar corrigir seus erros, para que, no próximo ano, sigam uma trilha mais próxima dos ideais de bondade e retidão.

Neste mês de Tishrei, primeiro do calendário judaico, os judeus comemoram outras duas festas: o dia do perdão, ou Iom Kipúr e a festa de Sucot. Os dias entre Rosh Hashaná e Iom Kipur são chamados "Os dez dia de teshuvá" ou "Os dias terríveis", pois representam os últimos dias para reflexão e para tomar decisões antes da chegada do Iom Kipur, onde todos os decretos para o próximo ano são finalmente promulgados.

[1] Para saber mais sobre as tradições e leis desta festa, veja Rosh Hashaná, Yom Kipur e Sucót, do Rabino Isaac Dichi.
[2] O toque do shofar está relacionado diretamente relacionado a festa de Rosh Hashaná, que é chamada na bíblia pelo nome de "dia do toque do Shofar" ou "Iom Truá" (vide Números, 29:1). Muitas são as razões pelas quais se toca o shofar em Rosh Hashaná - veja Machzor Completo, Jairo Fridlin e Vitor Fridlin, Editora Sêfer, São Paulo.
[3] Para saber mais sobre a Teshuvá, veja A Arte da Teshuvá, Rabino David Samsom e Tsvi Fishman, Editora Sêfer, São Paulo.