Bar do Abreu 22 anos
O balcão mais democrático do meio do mundo

Emanoel Reis

Neste sábado, o Bar do Abreu completa 22 anos. Uma trajetória que se confunde com a própria história política-cultural do Amapá. Funcionando desde 1982, tornou-se o templo da boemia amapaense passando a fazer parte, em definitivo, do cenário urbano de Macapá. Para festejar mais este aniversário José Ronaldo Reis de Abreu, ou somente Zé Ronaldo para os "abreulistas" sócios majoritários desse bem-sucedido empreendimento etílico-comercial, convidou a nata da Música Popular Amapaense: Patrícia Bastos, Osmar Júnior, Zé Miguel, Adail Júnior, Rambolde Campos, Pagode Rota Samba, Negro de Nós, The Tramp's. Certamente, garantia de boa música. Tudo no capricho.

Atendimento personalizado, cerveja sempre gelada, tira-gosto variado e o balcão mais democrático do meio do mundo. Estes são os ingredientes de 22 anos de ininterrupto sucesso. Mas sem o carisma e a competência dos irmãos Abreu, Zé Ronaldo e Marquinho, o Bar do Abreu não teria sequer passado da puberdade e alcançado, como está alcançando hoje, uma maioridade vigorosa e economicamente viável.

O Bar do Abreu começou meio que por acaso nos longínquos anos 80, na avenida Ernestino Borges, Laguinho. Contudo, logo ganhou adeptos. Boa parte já viajou para o andar de cima, outros atravessaram as últimas duas décadas seguindo o Bar do Abreu nas muitas mudanças dele até o atual endereço, na Galeria Comercial da avenida FAB. Por isso, o Bar do Abreu não tem fregueses e, sim, seguidores. Sempre fiéis ao sagrado ritual do boteco. São os "abreulistas" juramentados. Cultuadores de um bom bate-papo regado a uma cerva maravilhosamente gelada.

Estar em Macapá e não conhecer o Bar do Abreu é o mesmo que visitar Roma e não ver o Papa. Só sendo ruim da cabeça ou doente do pé. E não é exagero. Afinal, no estabelecimento de Zé Ronaldo e Marquinho o Amapá está presente em cada detalhe. No painel de fotografias, nas camisas dos clubes de futebol, nas bandeirolas, flâmulas e faixas, na coleção de latinhas de cerveja, nos CDs enfileirados nas prateleiras atrás do balcão, nos quadros, nas tabelas do Campeonato Brasileiro.

É assim o Bar do Abreu, o palco ideal para beber e discutir sobre política. Pedir mais bebida e discutir sobre neurolingüística, ou a arte de tentar adivinhar o pensamento feminino. Beber e discutir sobre futebol. Beber e conversar sobre música. E, afinal de tanto exercício manual em busca do copo, acaba-se conversando com aquele cavalo cor-de-rosa que sempre aparece virando a esquina da avenida FAB com a Tiradentes, já na décima quinta rodada.