Os cães ladram e a caravana passa.

Nos últimos dias tenho assistido estarrecido o desenrolar de um episódio que poderia classificar como grotesco, se não, vergonhoso.

O episódio de cassação dos mandatos do Senador João Capiberibe e da Deputada Janete Capirebibe traz à tona um enredo cinematográfico daqueles filmes “chinfrins” que são exibidos em cinemas de terceira categoria nas zonas antigas das grandes cidades. De um lado o “mal” entorpecido pelo próprio veneno e ódio, e do outro o bem, representado pela vontade de um povo que soube, nas urnas, expressar o amor pelo seu Estado e pela moralidade pública.

Poderia tentar escrever inúmeras laudas para descrever a história desse casal que aprendi a respeitar e admirar, pelo sofrimento e luta nos tempos de ditadura e pelo exemplo de moralidade e amor ao Amapá. Porém, me prenderei apenas ao aspecto de ser amapaense, nascido na Maternidade Mãe Luzia, ali na Av. FAB, estudante de escola pública, molhado pela teimosa chuva que só caia na hora da entrada.

Cresci acreditando que um dia nosso Estado seria realmente a Cinderela do Norte, como declamou minha saudosa avó, Aracy Mont’Alverne, despontando como o bastião da igualdade social e da cidadania. Seríamos o Estado da participação popular, do povo decidindo o que e como fazer. Esse é o Amapá que eu sempre quis.

Vejo, na humildade de ser mais um na multidão, forças avessas à modernidade e arraigadas ao clientelismo danoso e usurpador tentando macular a imagem de pessoas que representam um novo modelo de tratar a coisa pública, buscando deixar as claras os gastos efetuados pelos governos numa tentativa de impor moralidade onde ela deveria ser obrigação.

Esses são alguns dos motivos que me deixam, revoltado ao ler e ouvir numa mídia tendenciosa acusações tão levianas, que poderiam ser chamadas de indecentes se não fossem vergonhosas e casuísticas.
Mas, como já ouvi outras vezes, os cães ladram e a caravana passa, só que ela voltará e aí teremos novamente coisas boas para comemorar.

José Jucá de Mont’Alverne Neto