O calvário de quem produz no Amapá

Que uma das grandes vocações econômicas do Estado do Amapá é a agropecuária é fato incontestável.

Porém, as dificuldades encontradas em nosso Estado para o desenvolvimento de tal atividade econômica é fato que deixa abismados micros, pequenos, médios e grandes produtores.

Inicia-se pelo périplo que os produtores têm que percorrer em busca de maquinários, implementos e insumos (calcário, adubos químicos e orgânicos, etc.) para o preparo da terra.

Após, nova via crucis é encetada para garantir que a produção virá, pois as dificuldades no campo são das mais diversas espécies, que vão desde a falta, no mercado, de defensivos agrícolas até a pouca disponibilidade de profissionais da área para auxílio aos produtores.

Por fim, e o que é pior, quando a colheita se dá na época de nosso inverno (que já se iniciou) as dificuldades aumentam, já que a precariedade das estradas vicinais tornam quase impossível o escoamento da produção para os centros consumidores.

Exemplo recente disso, caso que conhece bem, pois ali tenho uma pequena propriedade em formação, são as linhas "B" e "C" da Colônia Agrícola Matapi, no Município de Porto Grande. Tais estradas vicinais não têm manutenção há mais de dois anos e já neste início de inverno estão em estado precário, dificultando o transporte dos produtos lá cultivados.

A continuar o descaso das autoridades responsáveis pela manutenção de tais estradas vicinais, elas ficarão, em um curto espaço de tempo, intransitáveis e, em breve não mais teremos como adquirir cerca de 60% dos produtos ofertados na feira do produtor, as terças e quintas-feiras, uma vez que oriundos daquela região.

Como se pode falar em desenvolvimento de uma região se não se cuida do mínimo necessário para que isto ocorra.

Os micro, pequenos, médios e grandes produtores que têm como via de acesso às suas propriedades as linhas "B" e "C" da Colônia Matapi estão esperando as providências no sentido de ver serem executadas as necessárias correções e manutenções em tais vicinais, para que possam, durante todo o inverno, abastecer a mesa das famílias amapaenses.

Jayme Henrique Ferreira. Procurador de Justiça do Ministério Público do Amapá.