A carência dos pequenos

Os 5 mil moradores de Fernando Falcão, no interior maranhense, não sabem o que é água tratada. O município não tem rede geral de esgoto nem serviço de coleta de lixo.

A água utilizada é oriunda, na maior parte, de poços particulares.
Assim como Fernando Falcão, outros 116 municípios brasileiros não têm nenhum domicílio com água potável. Destes, 79% se concentram na região Norte e Nordeste, sendo o Maranhão e Piauí são os Estados que ostentam os piores índices.

Dos dez municípios que apresentam os piores índices de saneamento básico no País, cinco estão em terras maranhenses. Juntos, eles somam 32 mil habitantes - população igual a de Parati, no interior do Rio que usufruem de 31 redes de água, 2 redes de esgoto e 16 serviços de coleta de lixo. ''As crianças que crescem nessas condições serão para sempre cidadãos brasileiros comprometidos e subnutridos'', afirma o presidente da Cedae Alberto Gomes.

Único Estado nordestino que não carrega o fardo de pertencer ao Polígono das Secas, o Maranhão tem metade da população vivendo abaixo da linha de pobreza. Ao todo são 19 municípios maranhenses que não são ligados a nenhuma rede de abastecimento de água.

O Maranhão exibe os piores índices sociais e retrata muito bem a realidade do saneamento brasileiro: quanto menor a população, menos infra-estrutura tem o município, deixando as pessoas expostas a toda sorte de doenças e epidemias.

Mensagens Pessoais - Assinado por: Lenilda Lima Castro em 28/03/2002.