CATÓLICOS, APÓSTÓLICOS E PEDÓFILOS

Renivaldo Costa - jornalista


O sexo sempre foi e talvez sempre será, um tema polêmico. A palavra é sinônimo de atos mundanos, profanos e agora, mais que em qualquer outro momento da história, nefastos. A questão da pedofilia praticada por padres católicos que no último mês veio à tona, transformou a imagem da Igreja Católica Apostólica Romana.

O problema leva a refletir sobre o estatuto do voto de castidade e da Instituição Católica, uma vez que obriga seus sacerdotes a praticar a abstinência sexual. A dúvida surge, pois celibato é uma imposição doutrinária da Igreja de Roma e não uma ordem de Deus.

O celibato foi adotado na Idade Média como uma forma de restringir o relacionamento dos padres em torno de seu patrimônio. Não há qualquer orientação bíblica para o celibato. Ademais, São Pedro, considerado o primeiro Papa, era casado. A Bíblia registra que Cristo teria, inclusive, curado sua sogra.

A partir do caso de abusos sexuais contra menores, cometidos por religiosos nos Estados Unidos, foi divulgado um documento sobre as atitudes que a Igreja tomaria em relação ao problema. Em todo o documento não há sequer uma referência a denúncia dos abusos à Justiça. Só que não depende da Igreja querer que a Justiça intervenha ou não. O caso tornou-se público e deve ser punido judicialmente. No relatório, consta que serão adotados processos especiais, em que padres com notória culpa nos casos de abusos serão expulsos, isto é, para se consumar a expulsão, o sacerdote deve ter um histórico de abusos. Caso o agressor tenha agido apenas uma vez, o Bispo responsável tem o poder de decidir se encaminha ou não o processo de exclusão.

Ora, o agressor deve ser punido como uma pessoa qualquer, independente de ser padre ou não. O próprio Papa João Paulo II declarou que a pedofilia é crime e um “pecado abominável aos olhos de Deus”. Esse conflito causa repulsa e a Igreja, que julga os atos da humanidade, encontra-se no banco dos réus.

O celibato tornou-se a questão central: será que não é o momento de a Igreja rever conceitos e permitir o casamento de seus sacerdotes? A verdade é que junto ao celibato está a castidade, que dá condição de pureza ao espírito dos religiosos. Outro ponto intrigante é que se o problema está na satisfação das necessidades sexuais, faria maior sentido a procura por mulheres. Isso implica conceitos clínicos psicológicos, onde o agressor procura a criança pela fragilidade infantil.

Muitas vezes esse crime é cometido por pessoas que não têm na criança o único foco de sua preferência, mas acabam atacando-a por não controlar seus impulsos sexuais. Pedofilia é crime e doença. Use ou não batina, o pedófilo é um doente. Não acho que o fim do celibato resolveria o problema da pedofilia entre os padres. Se assim fosse, só haveria pedófilos celibatários, o que não é o caso.

Hoje, os padres são relacionados ao celibato de três formas: aqueles que tentam ajustar-se ao celibato; os que aparentam ser celibatários, mas mantêm relações sexuais escondidas; e, por fim, os que desistem da Igreja.

Porém, os problemas sexuais em torno da vida religiosa são antigos e a situação aparece de forma lamentável quando as principais autoridades da Igreja ainda tentam omitir as atrocidades que seus sacerdotes cometem.

A história não favorece os Papas e a Igreja Católica. Talvez pela adoção do celibato, os escândalos sempre acompanharam o sistema religioso. A situação já é antiga, acontecendo até entre Papas. Veja alguns exemplos:

- O Papa João XII (ano 955) violava virgens e viúvas, conviveu com a amante de seu pai e foi morto num ato de adultério;

- Em 1410, mulheres casadas e mais de 200 freiras foram violadas pelo Papa João XXIII;

- O Papa Pio II, de 1458, ensinava jovens a praticar atos obscenos;

- O Papa Inocêncio VIII (1484) teve 16 filhos com mulheres casadas;

- Em 1513, Leão X, que ocupava o trono, reunia cardeais e reis praticando passa-tempos voluptuosos, servidos por enorme criadagem;

- “Não sei como um Papa poderá escapar da condenação do inferno”, são palavras do Papa Marcelo II (1555) sobre os atos pecaminosos de seus antecessores.