OBRIGADA MANINHO CELSO

Cassilda Barreto


Não é a voz do passado que se levanta aqui, é, sim, a de todos os estudantes amapaenses identificados com essa figura humana extraordinária, que se chamou Celso Saléh.

Em Brasília, as portas de sua residência ou de seu gabinete no Senado, estavam sempre abertas para, gentilmente, receber os conterrâneos de sua mulher Ilka.

Ninguém ignora que, na capital federal, Celso Saléh usufruía de um grande prestígio junto às autoridades e, assim, tratava intervindo e agindo sobre os interesses pertinentes, não só ao ex-Território do Amapá, como também aos habitantes populares.

Falar de Celso Saléh, por ele mesmo, não é tarefa difícil, porque sempre foi um líder nato e, como tal, muito transparente, humano, e nos legou inúmeras lições de competência, paciência, procurando resolver questões simples e complicadas, desrespeitadas ou até mesmo frustradas dos desafortunados.

Saléh, como era conhecido como estudante, foi eleito duas vezes como presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) na década de 50. Em 1959, quando visitava o Amapá, conheceu Ilka Barrriga, filha de uma das famílias tradicionais do município de Amapá. Apaixona-se e casa, em 1959. Foi nomeado prefeito desse município, no início de 1960, e passou dois anos no cargo.

Saiu do Amapá para fixar residência em Brasília onde assumiu o cargo de Chefe de Gabinete do ministro do Trabalho.

Em 1962, foi nomeado diretor-financeiro da Superintendência da Reforma Agrária (Supra) hoje, Incra. Com o golpe de 1964, foi preso, juntamente com toda diretoria da Supra, levado depois para a cidade do Rio de Janeiro, respondendo, com isso, onze Processos Militares (PM) e, geralmente, esses inquéritos iniciavam pela manhã e terminavam às 22 horas da noite.

Depois de toda essa via-crucis, foi liberado e voltou a Brasília, exatamente, no dia em que haveria o concurso público do Senado. Muito hábil, submeteu-se ao concurso, passou e assumiu, nessa instituição, o cargo de Técnico Legislativo. Conhecendo sua capacidade, o senador Carvalho Pinto o convidou para ser o seu Chefe de Gabinete. Depois, assumiu o mesmo cargo no gabinete do marechal Pinto Torres, senador Petrônio Portela e do presidente do Senado Humberto Lucena.

Nas eleições de 1970, por alguns problemas, não foi possível Celso Saléh postular a cadeira de deputado federal pelo Amapá, mas lançou e trabalhou pela candidatura do amapaense Antonio Pontes.

Em 1982, como diretor nacional do PMDB e depois diretor municipal, Celso Saléh candidatou-se a deputado federal pelo PMDB, mas foi derrotado pelo candidato Antonio Pontes.

Com a transformação do Amapá em Estado, outra vez candidatou-se pelo PMBD numa coligação de vários partidos. Conseguiu a primeira-suplência, porém o governador Annibal Barcellos o impediu de assumir, na Câmara Federal, o cargo de deputado federal, pelo Amapá.

Com esse incidente, Celso ficou bastante contrariado. Continuou sua função no Senado Federal, no entanto atendia, por fora, todas as demandas da clientela amapaense, graças ao seu prestígio e a sua boa vontade, ajudando a todos aqueles que o procuravam.

Já aposentado foi convidado pelo deputado amapaense Evandro Milhomem a assumir o cargo de Chefe de Gabinete, seu último cargo na Câmara Federal.

No dia 30 de maio, Celso se foi e deixou, em Brasília, Ilka sua mulher, os filhos Lucíola e Celso e os netos Leonardo e Celso Neto.

Evocamos com fervor acrescido às velhas preces de uma fé restaurada em Deus para que Celso Saléh - o “embaixador” do Amapá - descanse em paz na mansão dos justos.

Obrigada, maninho, pelo que fizeste em favor do povo amapaense.