LEMBRANDO CHACAL
Ruy Guarany Neves

Durante mais de uma década, o temível terrorista venezuelano Carlos Chacal praticou atentados em diversos paises . Chacal visava sempre próprios públicos ou locais onde pudesse atingir chefes de estados. O seu único lado bom estava em procurar evitar que o cidadão comum fosse vitimado fisicamente. Durante uma manifestação pública em que se fazia presente o presidente da França Charles De Gaulle,o terrorista conseguiu burlar o forte esquema de segurança e por pouco não tirou a vida do presidente, que no momento do disparo, curvou-se para agradar uma criança. Quem não teve a mesma sorte, foi o ex ditador da Nicarágua Anastácio Somoza. Deposto pelo movimento sandinista, exilou-se no Uruguai. Caçado por Chacal, Somoza acabou morrendo quando o seu carro , mesmo equipado com vidros a prova de bala, foi atingido por um petardo de alto teor explosivo, lançado de uma bazuca, fato ocorrido no centro de Montevideo.

Em 1968, um dispositivo de segurança foi armado no aeroporto dos Guararapes, em Recife, para receber o presidente Arthur da Costa e Silva. Uma bomba deixada no local por onde deveria passar o presidente, explodiu cinco minutos antes da chegada do avião presidencial, matando dois seguranças e ferindo gravemente outras pessoas. O autor do atentado não foi localizado. Mas, diante do material coletado e examinado,onde foi constatada a presença de componentes rigidamente controlados no Brasil, as autoridades não afastaram a possibilidade da participação de Carlos Chacal. Decorridos 37 anos , a dúvida continua.

Durante a realização dos jogos olímpicos de 1972, um grupo terrorista palestino denominado de SetembroNegro, invadiu a vila olímpica de Munique , deixando o triste registro de onze atletas israelenses mortos. As investigações chegaram a conclusão de que Carlos Chacal teria sido o mentor intelectual do atentado..

O seqüestro de um avião de passageiros ocorrido em 1977, acabou transformando o aeroporto de Entebe em verdadeiro inferno.Ao ser informado de que o terrorista Carlos Chacal poderia estar por trás de tudo aquilo, o tão poderoso ditador de Uganda Idi Amin Dadá,ex sargento o exercito inglês, que ao assumir o poder pela força, intitulou-se de “marechal de campo”, “doutor honoris causa”, “magnífico reitor da universidade de Uganda”e outras coisas mais, sumiu para lugar ignorado e não sabido. Após uma caçada da polícia francesa que durou dez anos, Carlos Chacal, já com a saúde abalada, foi localisado no Paraguai, preso e recolhido à uma prisão de segurança máxima na França.

O atentado a bomba de fabricação caseira, praticado contra o prédio da Policia Federal em Macapá, no final de janeiro, está longe de ser comparado aos atos terroristas arquitetados e praticados por Carlos Chacal ou outos agentes do terror que hoje ameaçam a integridade das nações. Entretanto, deverá servir como um alerta, que obrigue à `adoção de medidas visando dar maior segurança ao patrimônio público, federal, estadual e municipal.