Uma lição de Confúcio

Texto: Edgar Rodrigues

Confúcio, em chinês Kung-Fu-Tse, foi um grande sábio do oriente. Nasceu presumivelmente em 551-AC, e faleceu em 478AC. O respeito extraordinário de que gozava durante sua vida, fé-lo converter-se, mais tarde, em Veneração Pública. Originariamente, o confucionismo não era uma religião, mas uma moral familiar, social e estatal, fundada no respeito, amor e obediência.

São célebres no mundo todo, os aforismos e as lições de Confúcio, atravessando tempos e permanecendo sempre atuais.

Ele passeava certa vez com seus discípulos, quando deparou com uma mulher que chorava amargamente ao pé de um túmulo. O sábio chinês apressou os passos em sua direção e mandou que um de seus discípulos o enterrasse. "Sua lamentação", disse ele, "é a de quem sofreu infortúnio após o infortúnio". E a mulher respondeu:

"Assim é. Certa vez o pai de meu marido foi morto aqui por um tigre. Aconteceu o mesmo com o meu marido e meu filho morreu do mesmo modo. Estamos sempre com essa fantasma da morte rondando nossas aldeias. É muito sofrimento. Passamos horas e horas sem sono, ou fazendo revezamento para que um de nós, pelo menos, fique acordado em razão da possibilidade desses tigres aparecerem, e cada vez mais vorazes".

O mestre passou a fitar aquela gente amedrontada. Pensou, refletiu. De repente, com a voz calma e macia de sempre, interrogou a mulher:

"Já que sua gente está sendo ameaçada pelos tigres, causando tudo este transtorno, por que você não deixa de vez este lugar? Vá ver se encontra outro lugar, cultiva a terra, edifica uma casa ou duas, e passa a alojar seus parentes lá?"

A mulher, sem pensar muito, respondeu ao mestre chinês:

"Não podemos sair deste lugar, porque aqui não há governo opressor!"

O mestre iluminado dirigiu-se aos seus discípulos e falou com bastante sabedoria:

"Lembrai-vos, meus filhos: um governo opressor é mais terrível do que os tigres".