Conservacionismo Imaginário no Amapá-AM

O descaso com a Amazônia supera os limites da tolerância. Se não bastasse o atraso sócio-biotecnológico, ainda temos que aturar o discurso imaginário dos conservacionistas que defendem a criação de áreas protegidas isoladas da presença humana. O Parque do Tumucumaque é um típico exemplo da atuação irresponsável dos conservacionistas. É possível que o Parque abrigue uma rica biodiversidade, que deve ser estudada pelos pesquisadores. Mas é no mínimo inconsequente a afirmação de que o Amapá se beneficiará destas pesquisas ou mesmo do ecoturismo no Parque. As áreas de florestas fechadas são paisagens consideradas monótonas para o ecoturismo e a maioria da fauna local é constituída por insetos. Portanto, que fique bem claro que a estratégia dos conservacionistas ao influenciarem o Governo Federal para a criação do Parque do Tumucumaque foi manter uma reserva de biodiversidade para atender interesses que ainda não são claros.

De outro lado, no qual me incluo, estão os ecologistas sociais que defendem o uso sustentável dos recursos naturais, com agregação de valor local. Entendem os ecologistas sociais que é possível implantar processos produtivos agregando valor aos recursos naturais a partir do conhecimento tradicional local associado a sócio-bio tecnologia. Neste caso, a criação de áreas protegidas deve ser priorizada em função do reconhecimento social dos serviços ambientais prestados por comunidades tradicionais, ou ainda, associada a algum projeto de desenvolvimento sócio-econômico.

A mais recente estratégia de sedução dos poderosos conservacionistas é se infiltrar em ações de baixo impacto sócio-econômico na Amazônia, com isso criam um ambiente de não diferenciação dos interesses institucionais e camuflam a existência de barreiras ideológicas e de atuação. É possível uma integração de ações entre conservacionistas e ecologistas sociais? Entendo que sim, mas trata-se de um esforço franciscano. Em primeiro lugar temos que desnudar os interesses do desenvolvimento planetário. Em segundo lugar, os conservacionistas devem reconhecer que existe muita desigualdade no mundo e direcionar seus fartos recursos e poder político para programas sociais estruturantes relacionados ao uso sustentável dos recursos naturais com agregação de valor local. Em terceiro lugar, os conservacionistas devem aprender que a sigla do Amapá não é AM e respeitar a sócio-biodiversidade local. Aí podemos iniciar o diálogo.

Marco Antonio Chagas, Msc. em Desenvolvimento Sustentável