CONVENCIMENTO

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Conheço um pouco da realidade dos agricultores do Carnot, recentemente estive entre eles durante três dias, período que aproveitei para visitar o maior número possível de roçados e às instalações que estavam sendo preparadas para servirem à "fábrica" de farinha de mandioca.

Também recentemente ouvi uma entrevista que a secretária estadual de Indústria e Comércio, Janete Capiberibe concedia a um dos programas da Rádio Difusora, oportunidade em que fiquei sabendo que em breve o governador Capiberibe presidirá a inauguração daquele empreendimento, no Carnot.

Segundo esclareceu a secretária Janete Capiberibe, o empreendimento no Carnot é parte de uma ação de governo que se refere a um conjunto de outros projetos agro-industriais semelhantes referidos por fábricas de, biscoito de castanha, no Iratapuru, beneficiamento de camarão no Igarapé da Fortaleza, polpa de açaí e farinha de mandioca em Laranjal do Jari, dentre outros.

Vamos ver no que vai dar isso, embora todos devamos torcer pelo sucesso desses projetos. No meu caso, vou precisar de muito mais explicações para entender melhor a dimensão desses projetos até, em fim, admitir que se possa chamar de fábrica a singeleza daquele prediozinho que acaba de ser construído lá no Carnot.

De igual forma quero entender de onde sairá o açaí que alimentará a fábrica de polpa de Laranjal do Jari, já que em tantos anos de trabalho, fazendo longas caminhadas por toda a extensão do município afim de mapeamentos temáticos, não fui capaz de ver por lá os açaizais que vão fornecer matéria prima para industrialização nessa fábrica e ainda deixar vinho para o consumo tradicional de tão grande população.

Já a fábrica de farinha também em Laranjal do Jari pode ser a grande surpresa positiva para a agricultura amapaense, notadamente no que se refere a cultura da mandioca em terras predominantemente arenosas ou naquelas argilosas dentro de castanhais. É que nos arredores da cidade toda terra que se vê é muito arenosa, sem a menor recomendação técnica para o uso agrícola sem uma fortíssima agregação de tecnologia para adaptá-las à produção de mandioca.

Saindo dos arredores e ultrapassando a estreita faixa de transição areia/argila, está-se diretamente nas terras altas onde predominam as castanheiras e os extrativistas, que não praticam a agricultura nesse polígono.

Tenho comigo textos escritos livremente por estudantes do Carnot, onde se pode ler duríssimas críticas à maioria dos serviços que o governo do Estado iniciou ou realizou lá na vila, como asfaltamento e produção e distribuição de água tratada. Duros e verdadeiros em suas críticas, os estudantes criticam também a comunidade em seus hábitos de poluir o rio, o desmazelo com que se trata o único campo de futebol existente na vila, a falta de transporte para os roçados muito distantes e até querem, estudantes e lideranças, que a sede do município de Calçoene se transfira para lá.

Esses estudantes, que me pareceram positivamente muito politizados, querem saber como e de onde sairá mandioca para suster a fábrica. Acho que eles estão falando da economicidade do projeto e por conta, certamente, esperam um convencimento que lhes dêem para acreditarem no projeto. Tanto quanto eles também preciso desse convencimento.