Desabafo natalino

O jornalista EmanoelReis já tem uns bons anos de estrada, e chega ao Natal com as insatisfações que afligem quem tem, pelo menos um pouco de bom senso, e muito de respeito pela sociedade em que vive. E como observador do cotidiano, do qual faz parte também, Emanoel coloca para fora o que sente, para que você leia e compare com o que sente. Dele recebmos o e-mail que segue:

"Caro Corrêa Neto:

Sou um apreciador de seu trabalho. Comecei por dever de ofício; depois, tornou-se um hábito. Não sou amapaense, mas aqui nasceram os filhos de meu primeiro casamento com uma amapaense e, também, mais recentemente meus netos. Amo esta terra, Corrêa, e aqui quero que fiquem meus ossos. Hoje estou casado com outra amapaense, filha de pioneiros, e com relevantes serviços prestados a este Estado. Por isso, me indigno profundamente com tanta pilhagem praticada à vista de todos por quem deveria gerir o erário com algum zelo. Indigno-me, Corrêa, porque é impossível ficar à margem dos muitos assaltos perpetrados nos escaninhos dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) pelos denominados "homens públicos". Contabilize, Corrêa, os escândalos ocorridos em 2003. Nunca tinha visto, caro amigo, a espoliação de um povo ser tão deslavadamente
praticada. E aí, me pergunto: será que ninguém faz nada para deter esses bucaneiros? Esta mesma pergunta fiz a um amigo nosso, Euclides Campos de Moraes. Diga-me, Euclides, você que é amapaense, que ama, com certeza, esta terra, me diga: será que o povo amapaense nunca vai reagir? Ele me respondeu: Aí é que tu te enganas, Emanoel. O povo amapaense é vingativo, e na hora certa sabe dar o troco. E a hora certa é ali, na urna". Não sei, Corrêa. Talvez o Euclides tenha razão. Mas, acho que algo deveria ser feito de imediato. Algo portentoso como o que aconteceu em Roraima. Quem sabe assim, a minha indignação arrefece e acalme a minha fúria.

Antes mesmo de me graduar em Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na UFPA (sou da segunda turma após a implantação do curso), em meados dos anos 80, estava envolvido com política. Embora no Seminário Teológico Batista Equatorial (STBE), em Belém, reunia amigos, da Igreja mesmo, para debater o início do governo Figueiredo, os rumos da economia, capitaneada, na época, pelo "kaiser" Delfim Neto, a abertura anunciada etc. Depois, no início da carreira tive o prazer de ter sido assessor de imprensa do falecido deputado João Carlos Batista (assassinado em 1988).

Como profissional, atuai nas principais empresas de Comunicação do Norte e Nordeste, e sempre tive orgulho (e muito amor pela profissão) de ser jornalista. Porém, aqui no Amapá já me vi afirmando em rodas restritas que "me sinto envergonhado de ser jornalista". Costumo comentar, jocoso, que se dois sujeitos, conversando numa esquina, estão sem fazer nada, lançam um jornal.

Aqui, qualquer um é "jornalista", inclusive semi-analfabetos. A qualidade dos veículos do mass-media (rádio, televisão e jornal) amapaenses está abaixo do rodapé. Nunca vi o vernáculo pátrio ser tal maltratado.

São cometidos erros crassos de gramática e ortografia.
Meu Deus, é um horror! Mas, você, meu amigo, diariamente me faz acreditar que existe luz no fim
desse trágico túnel.
Parabéns pelo site. Tornou-se essencial para nós, que ainda sonhamos com dias melhores.

E, perdoe-me o desabafo num dia tão especial.

Aproveitando, desejo-lhe (à sua família, também) um grandioso Natal e um 2004 com 12 meses de saúde total, bolsa sempre recheada (de grana, claro) e de muita paz.

Abraços.
Emanoel Reis.