Desimportâncias

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - PMDB e PPS decidiram oficialmente guardar distância de Lula e do governo. O efeito prático é pequeno no curto prazo. A fisiologia diária e miúda incumbe-se de dar ao Planalto a maioria dos votos desses partidos no Congresso. A conseqüência maior virá, em tese, em 2006. Em tese porque PMDB e PPS precisam lançar candidatos competitivos contra Lula na sucessão presidencial. Sem nomes de destaque, o vexame é inevitável. O PMDB teve dois candidatos a presidente até hoje.

Ulysses Guimarães (1989) e Orestes Quércia (1994). Suas votações foram 4,14% e 4,38%, respectivamente. Quércia e o PMDB foram humilhados ao registrar menos votos que o nanico Enéas. O PPS também depende de celebridades. Era um nada derivado de um erro histórico stalinista, o antigo PCB, até encontrar Ciro Gomes em 1998 e 2002, cujas votações para presidente foram de 10,97% e 11,97% dos votos válidos. Mais da metade dos deputados do PPS está na sigla por causa de Ciro Gomes, e não por acreditar no programa da agremiação. Em resumo, PMDB e PPS só atrapalharão a vida de Lula em duas circunstâncias: 1) com candidato próprio competitivo para disputar a Presidência em 2006 ou 2) aliando-se a uma sigla de oposição que tenha esse nome competitivo. Menos do que isso, serão duas siglas zumbis sem chance de ascender ao poder. É verdade que alguns integrantes de PMDB e PPS desejam de fato perseguir um caminho de independência. São minoria. No fim da história, essa onda de rompimento choca mais pela desimportância dos partidos envolvidos do que pelos efeitos que possa vir a causar.

No Brasil, arquivos históricos são queimados. Nos EUA, o Google vai digitalizar 15 milhões de livros de Harvard. Como se sabe, às vezes, o pior do Brasil é o Brasil mesmo.