ONDA DE FACTÓIDES

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Não sei quem inventou e nem o nome correto da ferramenta que aplicada por fora e acima dos testículos do touro, seciona por dentro o canal espermático, tornando-o castrado sem contudo feri-lo e sangrá-lo. Genial este invento, apesar da dor profunda que causa ao animal.

Por que sabemos que dói sem a alta aplicação? Por causa da mugido abafado e prolongado que o "paciente" emite. Há touros que choram lágrimas escorridas, que a gente pode ver pingando e inferir a intensidade da dor que está sentindo ou o alívio de tê-la sentido.

Daí ao que hoje ocorre ao PSB e ao PT, no Amapá, dá para fazer uma analogia bem redondinha, tomando-se palavras utilizadas pelo deputado federal Evandro Milhomem, que também é presidente estadual do PSB, ditas pela manhã e à tarde no dia 15/02, respectivamente nos programas radiofônicos Revista Matinal e Espaço Livre, da Rádio Difusora de Macapá.

Deduzi de suas palavras que o PSB é a ferramenta capaz de castrar o PT, com dor mas sem sangue, numa espécie de cirurgia limpa que pretende esterilizar os trabalhistas quanto a pretensão do Partido a ter candidatura própria ao governo do estado, embora ao final da operação o PT continue PT da mesma forma que o touro continua bovino depois de castrado. Considero necessário dizer (ou esclarecer) que o "rompimento" do canal espermático pela ação deste tipo de castração não causa no animal nenhuma outra ruptura interna, se a ferramenta for bem manejada.

No caso dos dois partidos aliados no Amapá está posta uma queda de braço, noves fora o pedaço do PT que o deputado Milhomem disse ter sempre atuado para dificultar a relação entre os dois partidos. O fato é que o PSB deseja que Capiberibe seja o candidato do bloco ao senado puxado por uma candidatura do partido ao governo do Estado, enquanto o PT quer a mesma coisa e ainda a profª Dalva titular do restante do mandato.

Em cima disso, o governador Capiberibe criou um factóide: Diz que não deixa mais o governo em abril depois de dito que sim. O PSB, na esteira criou outro: vai se reunir quantas vezes sejam necessárias para deliberar sobre que recomendação fazer a Capiberibe, desde já sabendo que o recomendará à candidatura ao Senado.

Vamos esperar que o PT também crie o seu factóide, tendo em conta que o Presidente do PSB está dizendo que a probabilidade de o PT realizar um governo de transição é que está determinando a permanência de Capiberibe no mandato até o seu final. Em outras palavras, Milhomem está dizendo que não cabe ao PT sepultar o PDSA.

E o PT quer, de fato, sepultar o PDSA? Não quer mas precisa fazê-lo, não tem outra saída enquanto tiver candidato ao governo do estado e o PSB também. Aliás, ao meu ver, essa onda de factóides até servirá para o PT mostrar para a sociedade que, afinal, tem um programa de governo de próprio punho, seu de origem.

Difícil mesmo, ao PT será contestar o PSB e sair por aí, agora, dizendo que não pode mais se comprometer com o PDSA ou que o PDSA é tão supérfluo que, o rejeitará de abril a outubro e o defenderá nas urnas em novembro, em 2002.

Em política o factóide cresce em importância, às vezes passa a se chamar singelamente de "fato político", tem a vantagem das duas faces que tem: de um lado a intenção de criá-lo, de outro o arrependimento de tê-lo criado.

Um factóide é, por assim dizer, uma intenção e uma ação de um acontecimento virtual.