AS FEIJOADAS DO PAUXY NUNES

Renivaldo Costa e Hélio Pennafort (*)

Pauxy Gentil Nunes chegou ao Amapá a convite do irmão Janary Nunes. Assumiu a direção do Território de 14 de fevereiro de 1958 a fevereiro de 1961.

O governo de Pauxy foi marcado pela intolerância política. Por não aceitar influências na sua administração, levou o deputado federal Amilcar Pereira a fazer-lhe forte oposição. Escreveu, em 1963, o livro “Mosaicos da Realidade Amapaense”, cujo teor assemelha-se a um plano de governo. Foi o primeiro governador a levar o nome do Território além das fronteiras com suas idéias livres e sua paixão pelo Amapá.

No seu governo foi retomada a idéia de transformar as terras amapaenses em Estado. Na prática, porém, nenhuma ação foi executada. Perdeu-se em projetos e no isolamento político por inabilidade administrativa e intolerância partidária.

Com a vitória do candidato Jânio Quadros, da UDN, nas eleições presidenciais de 3 de outubro de 1960, o governador Pauxy Nunes, que lhe havia feito oposição, foi exonerado do cargo. E ainda, como represália, foi acusado de irregularidades e desmando administrativo. Substituíram-no pelo pernambucano José Francisco Mouro Cavalcante.

Após a substituição de Pauxy, cessaram as manifestações para transformar o Território em Estado, até o golpe militar, em março de 1964.

Pauxy nunca abandonou o seu espírito extrovertido e se apegou à sua vocação populista. Tanto que, a pretexto de festejar os aniversários do mês, Pauxy convocava todo mundo, no último sábado de cada mês, para uma feijoada na praia do Araxá, que era de sua propriedade, onde corria muita comida, cerveja e batida.

A diferença que tinha das outras festanças de aniversário era porque nessas feijoadas havia também calorosos debates sobre os problemas do Amapá, com todos os presentes dispondo de ampla liberdade de expressão. Como estavam ali, além do governador, todos os diretores de divisão (hoje secretarias de governo), essas discussões geralmente tinham conseqüências imediatas. Muitos problemas saíam dali praticamente solucionadas graças a sugestões oferecidas. Depois da discussão havia jogo de futebol. Enquanto Janary visitava os governados de casa em casa, Pauxy preferia o furdunço de uma feijoada. E não é que dava certo?!

(*) Texto escrito a quatro mãos por Renivaldo Costa e Hélio Pennafort em 12 de junho de 1996.