Macapá e seus 246 folhetins

Pedro Paulo M. Ribeiro

Infelizmente, Macapá presencia uma enxurrada de folhetins babaovescos de quinta categoria. Desde os mais antigos ao mais recente percebe-se a nítida babaovice estampada em todas as páginas. Tem aquele mais sutil, tem aquele outro desinibido a noticiar em letras garrafais qualquer tropeçadazinha do Capi e seus correligionários, tem um outro que o defende deslavadamente e tem uma pá de devezenquandários, como bem o disse o Edgar Rodrigues, que não servem nem para limpar as fezes do Totó nas calçadas da Beira-Rio.

E nestes dias em que cassaram um deputado federal, aquele mesmo folhetim que persegue o Capi, sumiu das bancas de revistas, segundo um amigo meu. Dá até para pensar que havia uma torcida muito grande para que o desafortunado deputado fosse cassado. E fica a pergunta no ar: e os que vieram antes dele, não vão também sofrer o peso da mão da justiça? Vai ver que não. Pois, o cassado não tinha ninguém que o amparasse, como tantas e tantas vezes aconteceram no passado.

Mas, convenhamos esse episódio serve de aviso para os que querem embarcar no lodaçal das entranhas políticas e é também um sinal de que os tempos mudaram no cenário jurídico do país. Não basta fazer parte do mesmo partido do Presidente da República e ficar pensando que nada nem ninguém não irá atingir-lhe. Se fez algo de errado, pode-se ficar certo que um dia a Justiça agirá com o devido rigor. Só espero, sinceramente, que isso sirva para todos, independentemente de pertencer a este ou aquele partido.

Quanto aos folhetins, um aviso: apresentem conteúdo e matérias inteligentes; divulguem a notícia jornalística e não a sua versão dos fatos; mantenham o público que os sustentam informados; deixem as diferenças políticas de lado; vistam a camisa da cidadania e dispam-se de suas indumentárias carcomidas por ódio e rancor; abracem a causa da real convivência pacífica entre os seres humanos; voltem-se para um objetivo comum que traduza a expectativa de cada amapaense em ver no seu rincão natal um monumento de paz, amor e prosperidade, atributos que andam tão fora de moda por estas bandas...

E, antes que me esqueça, embora critique as linhas editoriais destes folhetins não consigo ficar sem navegar em suas páginas e me inteirar dos acontecimentos de Macapá, do Brasil e do mundo. Mas, por favor, colaborem para a melhoria da qualidade de vida dos amapaenses: façam do jornal um instrumento de cidadania e não uma arena de embates mesquinhos.

Macapá, no estourar dos fogos e tiros de canhão nos seus 246 anos, merece mais do que isso.