GOVERNO WALDEZ: DOIS ANOS DE FRUSTRAÇÃO


Depois de participar das eleições de 2002, como candidato a Governador do Amapá pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), tomei duas decisões:
A primeira foi a que não seria candidato nas eleições de 2004. Essa foi a decisão mais difícil, pois como fomos bem votados em Macapá (ficamos à frente da ex-governadora e candidata do PT que foi para o segundo turno), muitos companheiros consideravam natural minha candidatura para Prefeito de Macapá após a saída de João Henrique do PSB. Levei em frente a decisão tomada, não sendo candidato nas eleições municipais. Acredito que, com a minha permanência no PSB e o meu apoio a nossa candidata Janete, dirimi quaisquer dúvidas infundadas que alguns companheiros tinham sobre essa minha posição.

A segunda decisão foi a de que só me manifestaria publicamente sobre o governo Waldez depois do tempo necessário para que o mesmo pudesse ser julgado. E qual seria esse tempo?

Como gestor público experiente e devido às regulares condições que Waldez recebeu o Estado, posso afirmar que um ano era tempo suficiente para seu governo mostrar a que veio e ser julgado.

Como candidato que defendeu um projeto de governo e de sociedade totalmente diferente do que é o governo Waldez; como político equilibrado que sou e em respeito à decisão da maioria do povo do Amapá que escolheu o atual governador; e ainda, para não ser despeitado ou invejoso, digo que para mim dois anos é tempo de me manifestar publicamente sobre esse governo.

O primeiro erro de Waldez foi acreditar que tudo do PDSA (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá) estava errado. Ficou só criticando e não se preocupou em conhecer os projetos que estavam em andamento. Erro grave, pois os projetos eram tocados com recursos públicos, e só por isso, mereciam a atenção de qualquer político minimamente responsável.

O segundo erro foi não entender que a maioria do povo do Amapá escolheu Waldez Góes para ser o nosso governador. O eleitor não escolheu para governar o Amapá Gutemberg Jácome, familiares da primeira dama, um grupo de deputados estaduais ou um pequeno grupo de empresários. Governar para um grupo de gananciosos é incompatível com os interesses legítimos de uma sociedade.

O terceiro e fatal erro de Waldez é não entender que foi eleito governador de uma unidade da República Federativa do Brasil. República deriva do latim res publica (coisa pública), significa servir ao interesse comum, interesse coletivo.

Waldez Góes deveria saber que, para atender ao interesse coletivo, o Chefe do Poder Executivo é o coordenador do principal instrumento viabilizador de políticas públicas: o Orçamento Público . Não podia deixar a “harmonia” entre os poderes sobrepor-se ao interesse comum. Refiro-me a má divisão do Orçamento do Estado. Má divisão que, desde e o governo do PT, diminui a capacidade de investimento do nosso Amapá; diminuindo distribuição de energia elétrica, água, esgoto, construção de estradas, escolas. Enfim, inviabiliza o atendimento ao interesse comum.

Na disputa com os Poderes Legislativo e Judiciário pelo Orçamento deste ano, Waldez cederá mais uma vez, por uma simples razão: seu governo não resiste ao mínimo vento de uma CPI.

O povo amapaense, frustrado com o atual governo, faz seu julgamento e a cada oportunidade, à sua maneira, dá seu veredicto. O terceiro lugar para o candidato do governo à Prefeitura de Macapá, e as vaias, como da Expo-Feira, são respostas da população aos compromissos não cumpridos. Vale lembrar que após o Amapá ser Estado, é a primeira vez que um candidato do governo fica em terceiro lugar numa importante disputa eleitoral.

O veredicto final do povo amapaense a um governante frustrante que não governa é derrotá-lo sucessivamente a cada eleição. Ou seja deixa-o sem mandato popular, para aprender que um mandato delegado pelo povo não pode ser subdelegado a ninguém.

Portanto vamos continuar acompanhando, criticando, elogiando, julgando o atual governo, e aguardando o veredicto final do povo amapaense.


Claudio Pinho Santana
Secretário Geral do PSB / AP