IMPORTÂNCIA DA INTRODUÇÃO

**POR: ALAN FARIAS SALES

Você já pensou na importância da introdução?

De início, esta pergunta pode parecer de resposta obvia, porém olhando mais de perto, é a introdução, uma grande injustiçada. É aquela que esta em todo livro, porém raramente é lida ou, em melhor dos casos, lida com desdém. Importa hoje, em uma sociedade imediatista, saber o resultado. Não se dá nem os primeiros passos e já se busca conhecer o resultado. Observe a si próprio, fiz apenas uma introdução, e você já deve ter pensado: onde esse “cara” quer chegar?

Tudo bem, tudo bem, tentarei ser mais conciso. Perceba que não é só nos livros que ignoramos a introdução, na vida também fazemos este absurdo, o que é ruim para qualquer pessoa, porém, para um profissional, é um completo desastre.

A introdução é saber onde tudo começou, saber qual foi a motivação do fato e qual o objetivo da criação da coisa. Percebe que na vida, muitas vezes erramos por não saber os “motivos” ou os “interesses” das coisas. Gostaria então de lhes dar uma pequena introdução do que é o dia 20 de novembro.

Novembro é o MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA, para este termo, cabe uma breve introdução. Ocorre que durante um dos capítulos mais vergonhosos de nossa história, adotamos a escravidão de um povo como base econômica e para a manutenção deste sistema, foi criado um processo cruel onde se pretendia tirar a identidade da população negra. Foram proibidas a dança, a língua, a arte, os cultos religiosos e tudo mais que lembrava a identidade daquele povo. Até os nomes Africanos foram trocados e as famílias foram separadas para que não pudessem se organizar, ou seja, além da liberdade queriam tirar-lhes também a identidade, a consciência de quem eles eram. Nesta luta para conservação da consciência e retorno para a liberdade, destacou-se ZUMBI, o grande general do Quilombo dos Palmares, que por esta luta foi morto em 20 de novembro de 1695.

Viu como é importante a introdução, você acaba de ser introduzido no maravilhoso mundo da IGUALDADE, lembramos do 20 de novembro como o dia que um mártir morreu por querer um Brasil igualitário, por querer um Brasil livre. Aliás, voltando, hoje está na nossa Constituição, como princípio maior, o direito a Liberdade, assim como o direito a Vida, o Princípio da Isonomia (todos somos iguais) e quem sabe um dia, algum jurista (pode ser você) ira propor o direito a Consciência Humana, que trará em sua redação legal, que “todos tem o direito de saber e manter suas origens na forma de costumes, tradições, língua e qualquer outro meio legal”,ou simplesmente “DIREITO A INTRODUÇÃO”, é algo a se pensar.

Pra finalizar, citarei o início da luta de forma implacável para libertação de todos os escravos brasileiros sem nenhum tipo de indenização para os seus detentores. A introdução é assim, nos traz para o mundo das informações completas e nos afasta pra sempre do vale da ignorância. Imagine que absurdo um cidadão declarar-se preconceituoso ou mesmo racista. É claro que esta controvérsia não ocorre, mas se acaso ocorrer, pode ter certeza, é falta de uma boa e completa INTRODUÇÃO.


** ALAN FARIAS SALES É ESTUDANTE
DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DO
AMAPÁ E MONITOR DA AGÊNCI A DE
COMUNICAÇÃO INGOMBA N’ARUANDA.