O Iraque e a Amazônia

Por José Amoras*

Pudemos assistir há alguns dias o tiro do presidente Lula que saiu pela culatra. Pois, bem. Luiz Inácio saiu pelo mundo afora visitando países pobres. Queria representá-los no Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas. É este conselho quem dá as cartas lá na ONU. Dele participam os países mais ricos do mundo como Estados Unidos, Grã Bretanha, França, Alemanha e outros. O Brasil participa somente do Conselho Temporário e de comissões menores que não têm peso na hora de grandes decisões.

Como bom marqueteiro Lula foi lá no Oriente Médio. Conversou com autoridades egípcias, foi até a Líbia, bateu longo papo com o ditador Kadaf e nesse vai-e-vem o presidente Brasileiro também esteve batendo de frente com os aliados de George W. Bush na guerra contra o Iraque. Lula e Bashar Al-Assad, presidente da Síria, acabaram defendendo a soberania do povo iraquiano, transferência de poder naquele país para seus cidadãos e garantia da integridade do território iraquiano. Aí também entram os acordos comerciais com os brasileiros, que são mais de interesse do povo árabe, claro.

Por outro lado ,David Saranga, que é porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, comentando a posição de Lula sobre a criação de um Estado palestino, afirmou que até concorda, mas há dúvidas sobre as intenções de paz do povo de Arafat. A preocupação deles é se o futuro país palestino vai ou não apoiar o terrorismo.

O jornalista israelense Aluf Benn, que conhece bem as relações internacionais, comentou que se o presidente Lula fosse a Israel, certamente se encontraria com Yasser Arafat. E aí seria criado um impasse para o presidente brasileiro: Ariel Sharon, bem como todas as autoridades israelenses se recusam a receber quem se encontra com Arafat. Sem cumprimentar o líder palestino, Lula se acomodou num encontro com o primeiro-ministro palestino Ahmed Korei, mas no Egito.

Lula também gostaria que Israel saísse das colinas de Gola e as entregasse à Síria. Isto não foi bem recebido pelo embaixador Daniel Gazit. Mas nada de irritações graves. Somente leves. Mas uma irritaçãozinha que seja daquele povo que vive em guerra não é para ser desconsiderada.

Desses encontros, possivelmente em agosto do ano que vem, poderá acontecer uma reunião de cúpula entre países da América do Sul e países árabes. A proposta é brasileira para aumentar o relacionamento comercial entre esses povos.

Enquanto isso em “Gothan City”, muita gente está de olho nas danças do ventre e do coração de Luiz Inácio que está com água na boca para entrar para o Conselho de Segurança Permanente da ONU. Acontece que o Conselho vota quando quer. E em quem bem entende.

Agora que os americanos prenderam o Sadam Hussein, Lula pode ter se arrependido de ter feito seu marketing numa hora errada. A popularidade de Bush estava em queda com a falta de provas para mandar fogo sobre o Iraque: os soldados americanos ainda não haviam encontrado armas químicas. O Sadam barbudo e desarticulado fez o “caça” da popularidade do presidente americano decolar. E partir firme para uma reeleição.

Quem começa a sofrer mais com isso tudo isso é a Amazônia. O Governo Britânico amolou a tesoura e não teve pena: deu um corte no programa coordenado pelo DFID - Departamento para a Cooperação Internacional. O Reino Unido que é formado pela Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales doou durante os anos 90 quase trinta milhões de dólares para o programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. Fichinha diante da importância do tema para os ingleses. Agora o Reino Unido sai da Cooperação na Amazônia. Motivo oficial: O Brasil tem renda média, não baixa e o Governo Britânico está dando uma reorientação na política de cooperação.

Outro motivo é à necessidade de manter a presença britânica no Iraque, quem afirma é o “The Independente.”

Poderíamos dizer que isto é uma represália dos aliados de Bush, como Tony Blair, ao país que, através de seu presidente, resolveu sair pelo mundo a conversar sobre a paz. Ou então seria mera coincidência ?

*José Amoras é jornalista e acadêmico de Direito.