A juventude e a violência

Deputado Antonio Nogueira

Ultimamente, os noticiários dos principais jornais brasileiros, estão cada vez mais ocupados com descrições de atos de violência. O curioso é que a cada dia aprimoram-se os requintes de crueldade e as aberrações e barbáries parecem não ter limites. Outro fator a se observar é a presença dos segmentos jovens como os maiores protagonistas destes repugnantes atos.

Boa parte de nossa juventude parece que perdeu a noção de civilidade e até alguns tabus anteriormente existentes, que hoje não mais os impedem de praticar as maiores atrocidades. Veja-se, por exemplo, a crescente onda de violência praticada contra crianças, mulheres e, pasmem, contra os idosos.

Se antigamente ainda mantinham certo respeito pelos nossos "velinhos", talvez porque suas figuras dóceis e meigas os lembrassem as figuras de seus pais e avós, atualmente, nem isso tem imposto limites aos patológicos e hediondos extravasamentos que brotam, talvez, das íntimas frustrações que estão cada vez mais presentes no seio da nossa juventude em meio à complexa vida contemporânea.

Esse fato e veias explicativas do problema, são muito bem trabalhados e expostos pelo antropólogo Gilberto Velho - Professor titular de antropologia social na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) - em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, edição do dia 20 de outubro deste ano. Dentre outras conclusões, o antropólogo nos esclarece que "há uma proporção maior de jovens do que de adultos envolvidos em atividades criminosas e portadores de uma cultura da violência. Há uma filosofia difundida entre eles de que a vida pode ser breve, mas deve ser vivida intensamente", e que "a violência é um fenômeno sociocultural em que as novas gerações são as que mais a cultuam", ou ainda que "a violência passou a ser um valor, há pessoas que gostam de exercê-la".

Em pesquisa realizada sobre esse assunto, o citado antropólogo cuidou de detectar qual é a impressão que tem, por exemplo, os idosos, a respeito dos comportamentos dos mais jovens. Infelizmente as impressões são as previsíveis, ou seja, eles acham que "os jovens são grosseiros, agressivos" e que "são capazes de empurrá-los numa fila de ônibus".

Ora, com certeza, não estou trazendo à baila nenhuma grande novidade. Todos nós sofremos com o crescimento da violência e percebemos intuitivamente que há sim um considerável aumento dos jovens como participantes e como principais protagonistas dele. Contudo, gostarei de chamar a atenção para que, ao focarmos esse tema, prestemos mais atenção a esse fato específico e estudemos e pensemos fórmulas, ações e políticas no sentido de dirimir esse problema; o que, ao fazê-lo, nos diversos órgãos representativos de nossa sociedade, cobrando dos poderes públicos ações sociais concretas, com certeza daremos um salto significativo para a diminuição dos índices de violência em nosso país.