Mais Justiça, menos corrupção!

O dia 17 de junho de 2003 será lembrado como um dos mais vergonhos da história do Brasil.

Foi exatamente neste dia, uma terça-feira, que um grande número de magistrados de todo país reuniu-se em vários estados de norte a sul, para uma demonstração explícita de egoísmo, arrogância e descompromisso com o país.

Comandados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, o excelentíssimo senhor Maurício Corrêa, os “julgadores da república” reivindicaram um tratamento previdenciário diferenciado do restante dos brasileiros.

Um tratamento previdenciário diferenciado, para aqueles que possuem todo um sistema de trabalho e remuneração acentuadamente diferenciados. De fato, todos sabemos as inúmeras vantagens e benefícios que os membros do poder judicário e do Ministério Público possuem ao ingressar nestas carreiras. Segurança contra o desemprego, férias de 60 dias por ano, aumento salarial garantido e a mais alta remuneração da república, são algumas das prerrogativas que a carreira do Judiciário traz. Porém, ao que parece, estas vantagens não são o bastante. O presidente do Superior Tribnal de Justiça, excelentíssimo senhor Nilson Naves, discursou da seguinte forma: “ O Poder Judiciário é uma carreira de Estado e, assim sendo, não pode ser inserido, segundo os moldes pretendidos pelo governo, na vala comum."

Vala comum...Há tempos não se via uma manifestação de tamanha arrogância em nosso país. Esta postura adotada por alguns membros do Judiciário faz-nos lembrar da época da escravidão, quando os senhores de engenho não admitiam estar no mesmo lugar que os negros escravos, ou ser tratados como estes.

É perfeitamente compreensível que o presidente do STF tenha medo da reforma da previdência. O “mais importante julgador do país” ganha nada menos que R$ 29.000 todos os meses! Além dos cerca de R$ 17.000 como presidente da corte suprema, este senhor recebe aínda uma aposentadoria como ex-procurador e outra como ex-parlamentar. Finalmente, em maio do próximo ano, passará a receber aposentadoria como ex-ministro do STF.

Logo, entende-se perfeitamente sua postura de faça-se justiça e igualdade social....mas não com o meu bolso.

Num país de miseráveis e subnutridos, é vergonhoso que a classe responsável por promover a justiça se permita uma postura tão execrável!

Porém, de todas as manifestações desta pequena parcela de pessoas, a que mais achei deplorável foi a do procurador Nedesen Ulisses, presidente do Conselho Nacional dos Procuradores de Justiça. Essa pessoa, de forma prepotente e ditatorial, atreveu-se a falar em nome de todos os membros do Judiciário, e mais, em nome de muitos universitários que pretendem ingressar nesta nobre e honrosa carreira. “Quem vai assumir a magistratura sabendo que no fim da carreira vai ganhar R$ 2.400?”, perguntou o ilustre membro do Ministério Público, com um ar de quem não pode, ganhando cerca de R$ 10.000, pagar uma aposentadoria complementar.

Pois bem, senhor procurador, sei que falo em nome de muitos estudantes de Direito, jovens com sonhos e ideais de um país mais justo, de uma sociedade mais igual e correta, quando digo que a maioria de nós aceitaria promover a justiça e cumprir a Constituição, mesmo recebendo uma quantia menor que aquela que recheia os vossos bolsos e falta ao pai de família que vive embaixo da ponte!

Seria muito justo, se todos estes homens que dizem falar em nome de todo o nobre poder Judiciário, pudessem ser demitidos por incompetência! Porém, esta é outra proteção que a carreira lhes garante - e poderiam satisfazerem-se com ela, posto que lhes salva o emprego e não permite que o cidadão conheça seus erros e injustiças!

Por isso, excelentíssimos senhores, enquanto nós, jovens estudantes de Direito, não os substituirmos na nobre função do Judiciário e do Ministério Público preocupem-se em demonstrar mais justiça e menos corrupção!

Termos estes em que toda a sociedade pede e espera deferimento!