QUANDO CHEGARÃO OS MOTORNEIROS?
RODRIGO CUNHA* -

Macapá, lá com os seus 245 anos, ainda não tomou juízo. É triste trafegar pelas suas ruas encrateradas e sem algum tipo de entretenimento - poucos shows, sem teatro, sem museus onde se possa apreciar obras ou ver fotos. Não existe uma valorização maior dos artistas plásticos - nem se sabe quem são - ou uma melhor infra-estrutura. Estamos perdendo para Palmas, com poucos anos de vida, e sendo uma das cidades mais desenvolvidas e arborizadas do Brasil.

Não é só Macapá, mas o Amapá inteiro. Não temos indústrias, assim não teremos mais empregos. Não temos uma força maior na agricultura. Os governos passados não deram incentivo para estes setores. A confiança perdeu o rumo desde este tempo.

Como incentivar o turismo se o Amapá não tem infra-estrutura? Boa parte das estradas do estado são precárias. Imagina-se como estão os ramais. Os municípios - falidos - não possuem meios para dispor seu desenvolvimento.
Temos paisagens incríveis que a maioria dos amapaenses nem tomaram conhecimento.

O Amapá vive um atraso muito grande. Por isso, ainda espera-se a chegada na capital dos bondes que existiam no início do século passado - e dos primeiros motorneiros da cidade. O estado não soube ainda aproveitar suas potencialidades e seu privilégio geográfico. De tudo pode ainda se extrair alguma coisa: a exemplo do IEPA, sendo um instituto de pesquisa bastante sério e avançado tecnologicamente.

Somos estado, mas vive-se ainda em clima de território. A política ainda exerce forte função dentro dos meios de comunicação - na qual chamo estes de mídia "de poucos para todos" - desprezando o verdadeiro significado de comunicação social.

É momento de crescer. E de um supercrescimento. Para que as crianças amapaenses nascidas neste momento não possam pegar daqui à 18 anos o bonde ou o avião da Pan Air no aeroporto de Macapá. Esta obra também atrasada umas 20 décadas.

Quero ainda ver o momento onde as pessoas dizerem, com orgulho, sou amapaense, sou macapaense, e faço parte do Brasil e o Brasil sabe disso.
Indústria, agricultura e infra-estrutura é a nova pedida dos analistas populares. Espera-se que a "justiça social" funcione. Senão será mais um governo a passar pelo poder e a sair com pouco resultado para a economia deste estado.

* Estudante de Jornalismo.

RODRIGO CUNHA
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