Planos do PFL
para
Roseana Sarney

O Fenômeno Roseana Sarney

Conheçam as propostas do PFL para o Brasil de Roseana Sarney:

1) limitação das aposentadorias da Previdência Estatal para 300 reais.
Quem quiser receber mais, que pague previdência privada ou morra de fome.

2) cobrança de mensalidades nas universidades federais, para diminuir os gastos do governo com essa coisa inútil chamada educação. Quem não tiver dinheiro para pagar faculdade, ou vai fazer outra coisa [...], ou tenta uma das bolsas que o PFL promete criar.

3) privatização total da geração de energia elétrica, baseada no modelo termo-elétrico. como os custos das termos são 3 maiores que o das hidroelétricas, quando tudo for privatizado, os preços serão, é claro, nivelados por cima, é provável que num próximo governo Roseana, você pague uns 250 reais de energia por mês....A idéia de privatizar todo sistema foi confirmada pelo recém ex-presidente do BNDES, Francisco Gros, amigo de FHC, para quem a energia no Brasil é muito barata e que o preço precisa subir para tornar atraente o investimento privado [...]

4) fim das leis trabalhistas, tirando da constituição TODOS os atuais direitos, como férias, 13 salário, fgts, multa por demissão e até seguro desemprego. Esses direitos, que o PFL prefere chamar de privilégios, deverão ser negociados "livremente" entre patrão e empregado. A justiça do trabalho também seria extinta num próximo governo Roseana. [...]

O importante é a "livre negociação". Ou seja, o patrão fala que não vai pagar, você não aceita e é demitido, entrando outro no lugar ganhando a metade, sem nenhum direito trabalhista. O PSDB chama isso de "flexibilização das leis de trabalho", o PFL chama de "modernização"[...]

5) abertura ampla [...] da economia brasileira, ficando o país apenas como competitivo na área agrícola. Em outras palavras, para quê ter indústrias por aqui se podemos importar dos EUA ou da Coréia ? E para que exportar carros e aviões se podemos exportar soja e café ? Afinal, o século XIX foi tão bom no Brasil, quando éramos uma extensa e feliz fazenda de café [...] voltemos então para a oligarquia agrária [...].
Adesão total à Alca, portanto.

Esses são alguns dos itens do PFL e que aliás tem forte apoio do PSDB.
Os outros já foram implementados na atual administração de FHC. Outros estão sendo, como o projeto da privatização da água, que já foi aprovado no Congresso.

Participe da campanha "voto consciente" e divulgue esta mensagem!


2o Texto

Vão dar um lençol no Brasil

A escandalosa campanha de Roseana Sarney na novela "O Clone" faz tremer os joelhos. Será ela o clone de Fernando Collor? O leitor se lembra bem, Collor foi eleito pela televisão, pela força de sua campanha em horário eleitoral e pelo protecionismo que a Globo lhe dedicou no noticiário. Isso já foi exaustivamente demonstrado e já não
interessa (a não ser como história e como lição). Agora, Roseana põe os pés na alma da Globo e no altar do Brasil de uma vez só. Ela toma posse da novela. "O Clone" acaba de virar novela político-partidária.
Uma novela pefelista. É inacreditável.

Oficialmente, só o que existe ali é um reles merchandising para promover o turismo no Maranhão. Para além das oficialidades, existe muito mais. Aquilo inaugura um gênero, a novela-palanque. Os lençóis do Maranhão se convertem em panfleto, em santinho de boca-de-urna. Que cenas inebriantes. Uma criança no barco se farta de frutas frescas.
Suco de bacuri. O convento, o teatro restaurado. O paraíso é lá. E quando a novela cessa, vêm os intervalos comerciais e a propaganda do PFL. Aí, é a própria, é Roseana quem me alerta: cuidado com os maus políticos ou o Brasil vai acabar como a Argentina, cuidado como inferno. Ai, que medo. Não há como resistir. Eu quero votar na Roseana! Eu quero me perder naqueles lençóis! Quero tirar fotografia dos molequinhos frugívoros! Estou cercado, confinado, fisgado. Roseana Sarney pra lá, Roseana Sarney pra cá. Do alto dessa novela, que não é qualquer novela, mas uma audiência continental, Roseana, onipotente e provedora, dá ao telespectador de olhos crédulos e sedentos o gozo contemplativo dos lençóis. Debaixo do intervalo comercial, o seu marketing dá um lençol no país inteiro. Ela se instala no coração do Brasil, um pobre coração que pulsa no ritmo e na rima do novelão das oito.

A campanha presidencial começou de fato no campo da ficção. Começou antes que a lei a descobrisse ali, antes que as normas que regulam a propaganda política imaginassem a existência dessa nova modalidade de proselitismo partidário. É uma campanha brilhante, porque é uma campanha que não é campanha. E assusta. Pode indicar uma adesão da Globo, ainda não declarada, à causa de Roseana. Dificilmente aquilo tudo é mero acerto comercial. Aquilo tem cara de opção política. Se for, está em preparação um clone de Fernando Collor. Quem não enxergar, vai levar lençol.

De Eugênio Bucci - Folha de S. Paulo / Caderno TvFolha de 20/01/2002