O PV e o Dilema Humano


O Partido Verde (PV) tem história e causa. Sua história remonta as tensões oriundas do pós-guerra quando os blocos econômicos dominantes deslancharam inconseqüente processo de industrialização e consumo, provocando impactos ambientais e sociais em escala planetária. Sua causa adere a linha dos movimentos alternativos, defendendo valores morais e culturais com atitude pró-ativa diante de uma natureza ameaçada e com sinais claros de risco a sobrevivência humana, como a mudança climática contestada pelo Presidente dos EUA e apontada por cientistas como o maior problema enfrentado pela humanidade, superando o terrorismo.

O movimento verde internacional defende uma maior responsabilidade sobre a destruição de espécies, poluição, contaminação do planeta e riscos de comprometimento da própria reprodução humana pelo modelo belista e predatório implantado pelas nações que optaram pela modernidade tecnológica em detrimento da modernidade ética. O PV se fortaleceu pelo descaso dos partidos políticos em relação aos problemas ambientais, tornando-se rapidamente um partido respeitado, influente e forte em toda Europa, principalmente na Alemanha.

No Brasil, o PV nasceu com o compromisso de ser um canal de expressão de um movimento ecológico, pacifista e alternativo. Assumiu o discurso em favor das chamadas minorias: negros, mulheres, homossexuais e índios. O PV é contra o serviço militar obrigatório e a discriminação da maconha. Defende a legalização da interrupção voluntária da gravidez e a descentralização do poder para os municípios. O PV considera o município como legítima instância de poder, o lócus privilegiado de participação da comunidade nas decisões do Estado.

Apesar de ter berço no sudeste, do anarquista verde Fernando Gabeira, protagonista da mais ousada ação política contra o regime militar (Que é isto Companheiro?), é na Região Norte onde o PV mais tem crescido. No Amapá, o PV conta com diretório estadual e com diretórios municipais. O PV possui dois deputados estaduais e vereadores. No Congresso Nacional, o PV tem no nome de Sarney Filho uma forte e qualificada liderança. Sarney Filho exerceu com competência a função de Ministro do Meio Ambiente, estabelecendo um constante diálogo com os movimentos sociais, sobretudo da Amazônia.

O Amapá é uma grande Área Protegida. Diante desta constatação, o PV abraçou a causa do Parque do Tumucumaque, procurando tornar a temática de conhecimento público e estimular a participação qualificada da sociedade na tomada de decisão sobre as ações de implantação das áreas protegidas criadas pelo Governo Federal, sob a tutela das ONGs internacionais.

Em 2003, no Congresso Mundial de Parques, realizado na África do Sul, a conservação foi considerada como um importante instrumento de combate à pobreza dos países detentores de sócio-biodiversidade, superando o dilema humano da natureza selvagem intocável. Este mesmo Congresso reconheceu que há atualmente um déficit de US$ 25 bilhões para que seja implementado o sistema de áreas protegidas, representativo da biodiversidade mundial previsto pela Convenção da Diversidade Biológica. A valoração econômica dos serviços sócio-ambientais é uma ciência emergente e deve ser considerada como base de negociação entre pobres e ricos. O PV defende que o sistema de áreas protegidas respeite as comunidades locais e que a implementação dessas áreas seja viabilizada com recursos econômicos dos países ricos e industrializados.

Marco Antonio Chagas, mestre em Desenvolvimento Sustentável.