QUEM MATOU ANA FABÍOLA?

Por José Amoras*

Foi um crime que estarreceu a sociedade amapaense. Ela tinha 13 anos de idade. Era estudante. No dia 08 de Agosto de 1995 estava na parada de ônibus aguardando o coletivo. Pára um carro. O motorista oferece carona. Ela aceita, já que o ônibus demorava. Era a última viagem de Ana Fabíola.

Os familiares estranhando a demora saíram à sua procura. Nenhuma notícia. Foram à uma delegacia e registraram o desaparecimento da jovem. A polícia começa a investigação.

O desconsolo e a preocupação tomaram conta da família durante vários dias. De súbito souberam que um corpo fora encontrado atrás da Universidade. Já havia vários dias e encontrava-se em decomposição. Sem face, sem cabelos, com indícios de estupro. Parentes reconheceram ser o corpo de Ana Fabíola. Não mais a Ana Fabíola alegre. Ana Fabíola cheia de esperança em se formar e um dia ajudar sua sociedade. Não mais a menina moça, cheia de graça e formosura dada por Deus.

Um rapaz que estava no velório foi apontado como suspeito do crime. Seu veículo periciado, e o interrogatório nada constataram autoria da crueldade.

Oito anos se passaram. Nada foi descoberto. Ao longo desse tempo percebeu-se que o crime perfeito existe. Seria o caso do crime contra Ana Fabíola? O homicida não teria comentado com ninguém sua prática? Alguém sabe e não quer denunciar? No site da Associação grupo das Lágrimas é mais um fato que desafia a sociedade a ter um policiamento mais bem aparelhado. E isso é reflexo das políticas públicas de todo o país para o setor da Segurança. A investigação de crimes como esse e a prisão dos culpados é um dos grandes desafios para o Estado.

Quando participo do Tribunal de Júri fico percebendo o cinismo de alguns assassinos. Muitos confessam o crime. Ficam rindo e ainda dizem que fariam de novo. Suas penas que variam em trinta anos de reclusão já não mais fazem efeito, sequer moral.

Numa conversa com o Dr. Marconi Pimenta, juiz da segunda vara criminal, discutíamos acerca das grandes ações, as quais se precisa para combater o crime. E ele dizia que é preciso juntar em grandes blitzes durante as noites policiais militares, civis, Ministério Público, Tribunal de Justiça, e todos os órgãos que puderem ajudar em grandes operação noturnas para intimidar a violência.

É durante a noite que acontece os maiores casos de violência. A lei que proíbe o funcionamento de bares, a partir de determinada hora, não é suficiente para acabar com a violência. Empresários da noite ganham na Justiça o direito de trabalhar, pagar seus funcionários e ganhar a vida.

Mas a solução está no empenho policial, na reciclagem dos homens, no aparelhamento das equipes, no salário justo para uma profissão tão difícil.

Durante a noite, com blitzes ostensivas em locais de venda de drogas, cavalarias nas ruas, cães de caça e tudo o que for necessário para dar segurança para a população poder dormir tranqüila nunca é demais. Queremos ver a polícia nas ruas. Porque os assassinos já estão com seus disfarces causando pânico por onde passam.

A responsabilidade do Dr. Pedro Leite não é pequena. E, claro, ele espera contar com o apoio de toda a sociedade nesta super empreitada. E aqui vai uma pequena colaboração: os números de telefones para os quais você pode denunciar quem matou Ana Fabíola ou qualquer outro crime que esteja sendo investigado: 0800 96 8080 ( Polícia Militar ), 0800 96 5151 ( Polícia Militar ), 212 1525 ( Polícia Civil ), 190 ( Polícia Militar ).

*José Amoras é jornalista e vice-presidente do Centro Acadêmico de Direito do Centro de Ensino Superior do Amapá - CEAP.