SURPRESAS NO AR

João Silva

O esporte é uma paixão nacional, corre na veia desde molequinho, “prato” que nunca recusei e não vou recusar agora em tempo de resultados surpreendentes chamando atenção dos torcedores no Brasil e no exterior. Nos últimos dias é o que tem motivado a crônica, suscitado a discussão nas emissoras de rádio, nas colunas dos jornais e movimentado o noticiário nas televisões por assinatura, principalmente nos canais especializados, onde sobra tempo e existem bons profissionais para acrescentar o molho que enriquece o debate.

Tivemos o Santo André na parada e a vitória contra o Flamengo envergonhado diante do seu camisa 12, pra lá de poderoso: setenta mil almas, setenta mil bocas cantando vitória na decisão da Copa do Brasil, Maracanã em dia de gala; canto que depois virou choro, revolta, violência contida a muito custo pela Polícia, enquanto os rapazes do Chamusca comemoravam o título, passando a taça de mão em mão.

Parece que veio de fora o primeiro aviso sobre a tal quadra do imponderável no futebol; veio com a Copa dos Campeões da Europa e a decisão entre Porto e o Mônaco. Venceu o Porto com todos os méritos, sem tremer diante de concorrentes cheios da grana e de tradição, que foram ficando pelo meio do caminho, como o Milan, Arsenal, Real Madrid, Barcelona, Juventus e outros pesos pesados do velho continente

E o Once Caldas, héin? Os colombianos aprontaram mesmo pra cima da gente e arrastaram também los ermanos; sempre fechadinhos, sem recusar empates diante da impossibilidade da vitória, porque pra eles defender é essencial e só ir a frente numa boa também, “jantou” peixe no Brasil e mais adiante, fazendo o joguinho de sempre, enrolou o Boca em Buenos Aires, que teve um ataque de nervos na decisão por penaltys na casa do adversário. Então o Once chegou onde queria chegar: ao título de Campeão da Taça Liberatdores, interrompendo a série de títulos do time argentino.

Domingo passado Portugal, em casa, viu pela segunda vez a Grécia, a zebra azul e branco, fatal, fatalíssima para quem corria atrás de um feito inédito: vencer a Eurocopa; mesmíssima pretensão, aliás, heroicamente buscada pelos gregos. E bastou um descuido, uma cabeçada de Haristeia e pronto...Lá estava de novo o imponderável: o favorito chora enquanto a zebra feliz comemora o título, vitória mais que merecida do futebol solidário e competitivo que os gregos aprenderam com um alemão, o técnico Othon Henrreng.

Ainda lá fora, no tênis, em Wimbledon, vocês viram o que a gracinha da Maria Sharapova aprontou pra cima da Serena Williams? Foi um baile que abalou a faceirice da tenista americana. A dúvida é saber se a bela e quente siberiana (pode?) com seu sobrenome de remédio (Sharapova!), foi um acidente, uma chuva de verão ou veio mesmo pra ser o novo furacão do tênis, pra detonar de vez com a Serena e o seu incrível reinado de vitórias e milhões de dólares.

Bem, no Campeonato Brasileiro, vocês já perceberam: umas zebrinhas andam assanhadas, pontuando bem, ocupando a ponta da tabela, aqui e acolá, pastando em campos verdejantes, onde deveriam circular outras camisas, outras cores, outras feras. Criciúma e Figueirense estão aí...Se tantos grandes continuarem caindo pelas tabelas, como Flamengo, Botafogo, Corintians, claro, não vai se fácil tirar a taça deles neste momento esquisito do nosso futebolzinho de todos os dias, em que o imponderável prevalece, e a zebra a grande novidade!

O óbvio ululante no esporte vai ficando por conta da fórmula-1, aliás. Chata, repetitiva, previsível a cada novo grande prêmio; exceção que atende pelo nome do alemão Michael Schumacher. Com ele, o automobilismo faz a diferença em meio ao cenário de hoje, de agora no esporte, no Brasil e no mundo. O alemão é o ator principal, as ferraris que conduz absolutas; as outras escuderias e os seus pilotos são coadjuvantes, nada mais. A tecnologia de ponta e o talento de um grande piloto se casaram para estabelecer que a cor da vitória na fórmula-1 será vermelha, até quando for possível. E parece que vai continuar em 2005, porque 2004 já era.