TRÂNSITO: O QUE DIZEM OS NÚMEROS?

Luiz Afonso Mira Picanço - Amapaense, Economista

Estudos recentes apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA e a Associação Nacional de Transportes Públicos - ANTP, denominado, Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas aglomerações urbanas brasileiras, e também o relatório sobre Mortalidade por Acidente de Transporte Terrestre do Ministério da Saúde, mostra que os acidentes de trânsito constituem um sério problema do mundo atual, tanto para os países desenvolvidos quanto aos em desenvolvimento. Segundo o Banco Mundial, mais de um milhão de pessoas morrem em acidentes de trânsito por ano, sendo que 85% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos.

No Brasil, as estatísticas oficiais mostram um expressivo número de mortes em acidentes de trânsito, mesmo considerando a precariedade do processo de registro, coleta e tratamento de dados. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito - DENATRAN, de 1961a 2000, o número de feridos no trânsito no país multiplicou-se por 15 e o de mortos por seis. Vale ressaltar que medidas como a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, o controle eletrônico de velocidade nas vias urbanas, assim como a entrada em vigor do Código de Trânsito Brasileiro, ajudaram na redução do número de mortes e na melhoria dos indicadores de segurança durante os anos 90.

Estatísticas do DENATRAN indicam a ocorrência de cerca de 300 mil acidentes anuais, dos quais resultam cerca de 30 mil mortos e 350 mil feridos. Os estudos do IPEA e ANTP, com objetivo de identificar e mensurar os custos econômicos e sociais dos acidentes de trânsito nas aglomerações urbanas, apontam um custo social da ordem de R$ 5,3 bilhões por ano. Esses valores resultam somente dos acidentes ocorridos em área urbana. Se considerados, por projeção, também os acidentes ocorridos em rodovias fora do perímetro urbano, estima-se um custo anual total de cerca de R$ 10 bilhões. Os custos totais dos acidentes apresentados não estão inclusos os “custos humanos”, estes são conhecidos como custos intangíveis e subjetivos, relativos à sobrevida esperada das pessoas mortas no trânsito, aos sofrimentos físicos e psicológicos das vítimas, dos seus parentes e amigos dentre as quais podemos destacar ( angústias, tristezas e sofrimentos, danos à qualidade de vida, dano permanente à aparência ).

No nosso estado do Amapá, os dados apresentados no relatório de Mortalidade por Acidentes de Transporte Terrestre do Ministério da Saúde, demonstram preocupação, tendo em vista, a evolução do número de mortalidade por acidentes de trânsito. Em 2003 foram ocorridos 2.358 acidentes, sendo 1.048 acidentes com vítimas e 1.310 sem vítimas. Sendo que, 1.990 acidentes foram registrados na área urbana do Município de Macapá, ou seja, 84,39% dos acidentes ocorridos no Estado. Dados apresentados no relatório demonstra também o número de óbitos segundo a frota de veículos por unidades Federadas. Onde, em 2003, o estado do Amapá possuía a menor frota do país com 41.101 veículos (8,2 veículos por 100 habitantes) e, ao mesmo tempo, a maior taxa de mortalidade segundo a frota, com 294,4 óbitos por 100.000 veículos, valor 5,6 vezes maior que a taxa do Estado de São Paulo que possuía a maior frota do país com 12.376.361 veículos (32,9 veículos por 100 habitantes).

Diante desses números apresentados e tendo o período de 18 a 25 de Setembro a Semana Nacional do Trânsito com o tema “O Trânsito e feito de Pessoas. Valorize a Vida”, considero que o momento seja oportuno para que possamos refletir e formular críticas sobre a questão do Trânsito, junto aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, que são responsáveis pela formulação de políticas públicas voltada ao Trânsito. Tanto o Governo Federal, como Estadual e Municipal, tem que se integrarem para elaborar proposições de estratégias diferenciadas para redução dos acidentes, visto que, as políticas de segurança de trânsito devem ser aprimoradas com base em três fatores que definem o trânsito: a Locomoção; a Comunicação e o Convívio Social, e não adotar mais o conceito de trânsito como sendo uma integração entre Via, Veiculo e Homem.