Jornalismo "Tucujuniquim"


Tudo começa pelo cenário, uma televisão ao lado do apresentador para fazer a interação com o repórter que de qualquer ponto da cidade irá entrar "diretamente/ao vivo?", e o apresentador olhando para a televisão ao seu lado diz: agora direto do Hospital de Especialidades fala o repórter Ricardo Cara de Sono, é com você Ricardo... enquanto isso o repórter balançando a cabeça afirmativamente para demonstrar que está escutando e esperando a "deixa" do apresentador fala: ok! meu caro Rogério Espigão, estamos aqui com o fulano de tal que vai falar sobre... e para finalizar novamente a câmera enquadra apresentador e repórter, e o repórter diz: voltamos agora aos nossos estúdios, é
com você meu caro Rogério Espigão, e o apresentador balançando a cabeça também diz: obrigado Ricardo. Aí depois de dois minutos, como um passe de mágica, o mesmo repórter é chamado para entrar do outro ponto da cidade, por exemplo do Terminal Rodoviário, para falar de novo "diretamente/ao vivo?" com a mesma encenação anterior. Será que eles pensam que toda esta encenação está sendo convincente? Outra questão é o repórter ao mesmo tempo que faz a pergunta responde pelo entrevistado, ou perguntas um tanto idiotas, como a que o repórter fez a uma senhora sobre o aumento nos preços dos remédios... o repórter perguntou: "com este aumento
o orçamento vai pesar mais no bolso, né?!" só faltou a senhora dizer: não, não vai pesar, agora vai ficar mais leve. São estas, meu caro Corrêa, algumas das peculiaridades que fazem parte de uma corrente agora batizada de jornalismo "tucujuniquim".

Marcelo Cabral.
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