A execração da Umbanda

Quem assiste televisão na madrugada e até mesmo em boa parte do dia, sabe o que estou falando. Os programas evangélicos que grassam nos canais televisivos, com algumas exceções, pegaram a Umbanda como bode expiatório para as mazelas do povo. Todo dia tem gente se queixando dos chamados "encostos", dos terreiros e tendas espíritas, que antes funcionavam sem problemas. Hoje existe uma campanha desleal contra esse tipo de manifestação religiosa. É claro que em todos os segmentos religiosos existem pessoas mal intencionadas. Mas isso não é privilegio dos umbandistas.

A Umbanda tem raízes na raça negra, foi desenvolvida pelo povo brasileiro assim com o Candomblé, que é também uma religião afro. Aqui e em qualquer lugar do Brasil, esses cultos são freqüentados por todas as classes da sociedade, embora alguns prefiram fazê-lo no anonimato, rezando nas igrejas durante o dia e procurando os pais de santo na calada da noite.

Como pois execrar essa legítima manifestação, aproveitando para tirar vantagens disso? São filas de depoentes suspeitos que se livram dos "encostos" como num passe de mágica. São cenas que beiram o tragicômico e que levam a refletir sobre o assunto. Porque só quem não presta é a umbanda o candomblé a macumba o espiritismo de modo geral? Já pensaram se essa gente tivesse dinheiro suficiente para criar um programa numa emissora de televisão, mostrando o que realmente ocorre.

Creio que assim, todo mundo ficaria nivelado.
Minha mãe é umbandistas desde que me entendo por gente. Pobre, ela enfrentou a vida com denodo para criar uma prole de oito filhos. Nunca precisou agir de má fé com ninguém.
Quem a conhece sabe que se trata de uma líder espiritual.
Como minha mãe, existem milhares de pessoas sérias que praticam a fé da Umbanda. São pessoas que precisam, ser respeitadas acima de tudo.

Portanto seria bom que deixassem o povo escolher entre um passe do caboclo Ubirajara ou uma cartinha reservando um terreno pago no paraíso.

Humberto Moreira