AS TETAS DA VELHA LOBA

João Silva

Com todo respeito ao internautas, que nada têm a ver com isso, olha aqui cambada de filhos da mãe, será que vocês pensam que o governo de um estado pequeno e pobre como o nosso não tem o quê fazer? Essa estória do carnaval e do futebol de pires na mão, sempre em dificuldade e puxando grana do governo é uma afronta que já vem de algum tempo, em prejuízo de uma população que reclama mais assistência em setores como da saúde e da segurança pública.

E não me venham com essa balela de que é preciso investir no carnaval para atrair turistas e divisas para o Amapá. Isso poderia ser levado em conta se o nosso carnaval fosse sério, profissional, competente e não essa indigência que é a única coisa que cresce de ano pra ano, com todo respeito às nossas escolas de samba e às poucas pessoas bem intencionadas que trabalham no carnaval de rua do Amapá, que não é terceiro do Brasil, coisa nenhuma, e não será tão cedo, a prevalecer a mentalidade reinante no meio do samba e apresentação das escolas quase sempre aquém dos recursos oficiais que recebem todos os anos com objetivo de melhorar o nível do evento.
No futebol é a mesma coisa: o governo se sensibiliza, dá dinheiro sem exigir qualquer contra-partida e o que é que acontece? Os caras levam a grana da parceria para reconstruir a sede da Federação, o Ypiranga perde seu patrimônio para dívidas acumuladas pelo seu futebol e o Amapá não passa de uma gracinha na Copa do Brasil e na serié C, sem falar no Campeonato Amapaense, que virou um espectro, uma sucessão de jogos ruins e de títulos que não valem nada.

Como deveria ser na sua relação com a imprensa, com o futebol, com os demais parceiros o governo deveria jogar duro com essa gente, fechar os cofres para os aproveitadores, exigir seriedade e a prestação de contas dos recursos que não pertencem aos governantes de plantão, mas à sociedade que não está de acordo com essa babel que toma conta do noticiário todos os dias. Ao contrário, continuando como está, sem pegar nada com ninguém (e isso vem de longe), não é preciso ser um gênio, mas apenas um espertalhão para concluir que compensa “fazer” carnaval e futebol no meio do mundo.

No carnaval e no futebol muitas coisas estranhas exigem explicação; por exemplo: quem deu dinheiro para a reforma da sede social do Trem? Se foi o governo, por que só o Trem foi beneficiado e por que as obras não foram concluidas até agora? E a tal estória, acho que inédita no Brasil e no mundo, dos recursos públicos oferecidos de graça para suprir prejuízos com a destruição de muros dos estabelecimentos de ensino, cedidos para improvisar barracões das escolas de samba? E aquele acidente com a fantasia de Piratas acabou mesmo sobrando para a velha loba em cujas tetas todo mundo quer mamar?

Esse negócio de não pegar nada me remete a piada de um velho amigo sobre assunto parecido, que é outro escárnio, que vire-e-mexe incomoda a gente. O senhor da criação dos municípios, com aquela velha história de que é preciso espalhar cidades por aí para desenvolver o Estado, está de volta na mídia que conhece tão bem, querendo mais. Aí é que o meu amigo, sem discutir o mérito duvidoso do pleito, diante da triste realidade de tantos e repetidos assaltos insolúveis, portanto sem que se recupere o dinheiro público e nada aconteça aos ladrões e suspeitos, saiu-se com esta idéia que considero luminosa: inclua-se na mesma lei que criará novos municípios, por favor, a instituição de uma delegacia especializada em assalto a prefeitos, presidentes de câmaras e seus secretários de finanças. Áh, e de saída com uma incumbência nada fácil: descobrir porque o ladrão sempre leva o dinheiro que era pra pagar o funcionalismo público.

No carnaval quando a coisa é pra valer ninguém liga. A área para construção dos barracões parece não interessar às escolas de samba, com exceção de Boêmios do Laguinho; sua não ocupação é um convite aos invasores profissionais, aos políticos irresponsáveis em ano de eleição. Só a decisão de ocupar o espaço, já significaria um grande avanço para o nosso carnaval e também um alívio para a cidade, atravancada por causa da locomoção de grandes carros alegóricos no dia do desfile, provocando a interdição de artérias importantes para o tráfego de Macapá. Trata-se de uma mega operação, que custa caro, em que trabalham juntos a Companhia de Eletricidade do Amapá, o Corpo de Bombeiros, a Policia Militar, a Guarda Municipal e o escambau.

Como ano que vem tem mais e muito provavelmente as coisas ficarão do mesmo jeitinho, tanto no carnaval quanto no futebol, e não acreditando que o poder público (PMM e GEA) endureça com essa gente, só me resta rezar para que as duas lobas e as suas tetas resistam...