Imprensa minimiza veto a Salomão

Na semana passada um fato importante foi tratado como de segunda classe pela mídia. Luiz Alfredo Salomão, um ex-deputado federal fluminense, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o apoio do PT do Rio de Janeiro, para ocupar o cargo de diretor de fiscalização da Agência Nacional de Petróleo teve o seu nome reprovado pelo plenário do Senado Federal, apesar de aprovado por unanimidade na sabatina e ir para o plenário com parecer favorável do relator.

A mídia eletrônica desprezou a notícia. A impressa deu um tratamento não condizente com o episódio. Os colunistas políticos que exploraram o assunto, trabalharam com duas versões pouco prováveis para assunto tão importante. Alguns colunistas, creditaram a reprovação ao açodamento de Luiz Salomão de marcar a data para sua posse e ter distribuído 3.000 convites antes do seu nome ser submetido ao plenário do Senado. Outros, preferiram acreditar que a operação de não aprovação, do nome indicado por Lula, partiu do senador José Sarney, presidente do Senado, como vingança por uma rixa política de outrora.

As duas versões são chulas ante a importância do fato, pois desde que passou a ser obrigatória a aprovação de nomes indicados pelo presidente da República para determinados cargos pelo Senado, tal reprovação não havia ocorrido. Além disso, a imprensa não questionou a timidez da reação da Presidência da República e do PT, partido do reprovado Luiz Salomão. A imprensa, também, dispensou uma avaliação das grandes empresas petrolíferas e dos atuais dirigentes da Agência Nacional de Petróleo. Some-se a isso, que a própria imprensa vive noticiando uma queda de braço entre as agências reguladoras, criadas no governo passado, e o atual poder executivo.

A timidez no tratamento de acontecimento tão anormal na vida política recente, subtraiu os ouvintes, telespectadores e leitores de saber realmente as razões da reprovação do nome de Luiz Salomão. Mas uma vez ficou no ar, um certo sentimento de que o dedo do governo federal foi introduzido na questão, como forma de minimizar a repercussão do fato na mídia.

Muita gente poderá argumentar, que no dia da rejeição ao nome de Luiz Salomão, outro fato teve mais importância, que foi a fala presidencial que desafiava o Congresso e o Judiciário, mas ninguém ousou fazer uma correlação entre um fato e outro, haja vista que o discurso do presidente Lula antecedeu a votação do Senado. Na verdade, a cada dia que passa, fica mais flagrante, que o relacionamento entre as empresas de comunicação e o Planalto escondem coisas de que até Deus duvida.

Chico Bruno