Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo

Assistir a “Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo” é experimentar um pouco das aventuras vividas pelos grandes navegadores do século XVII, com direito a tormentas, grandes batalhas, nevoeiros e uma fiel, fidelíssima, reconstituição do universo diegético.

Baseado na literatura de Patrick O’Brian, “Mestre dos Mares” foi caprichosamente dirigido por Peter Weir (Sociedade dos Poetas Mortos) e retrata o contexto das navegações da marinha britânica no período napoleônico.

No comando da nau britânica, o implacável, destemido e habilidoso Capitão Jack Aubrey - imbativelmente vivido por Russel Crowe, recebe da Coroa Britânica a missão de interceptar o “Acheron” - uma nau francesa militarmente muito superior.

Contudo, já desde as primeiras seqüências do filme assistimos a um contundente ataque surpresa do “Acheron” ao HMS Surprise, o navio britânico comandado pelo Capitão Jack Aubrey.

HMS Surprise escapa de ser fulminado, graças a um denso nevoeiro que assola o mar naquelas circunstâncias. Contudo, contabiliza inúmeros marinheiros feridos e comprometedoras avarias em seu casco. Mas, para surpresa da imensa tripulação amedrontada, Capitão Jack, obstinado, decide consertar a embarcação em pleno alto mar e partir para o cumprimento de sua missão: interceptar e destruir a fragata inimiga.

A saga do HMS Surprise é diligentemente montada pela apurada direção de Peter Weir, como um mosaico narrativo que nos faz acompanhar o dia-a-dia do claustrofóbico recinto náutico, as adversidades enfrentadas em alto mar, um flerte com as crenças e tradições navegantes e as emblemáticas cirurgias realizadas pelo Dr. Stephen Maturin (Paul Bettany), médico de bordo do navio, naturalista e amigo do Capitão Jack, com o qual executa solos de violino e cello durante as horas mortas do navegar.

Mestre dos Mares, além da indefectível fotografia, da primorosa direção de arte (observe-se a acurada e minuciosa reconstituição estética do navio e dos instrumentos e utensílios típicos da navegação clássica), possui em seu texto a linguagem técnica apropriada da ciência náutica sem resvalar para o artificialismo, além da brilhante performance de Russel Crowe; tudo, é claro, sob a mais diligente e competente direção de Peter Weir, numa película digna de toda reverência.


Jorge Coimbra.