CARTAS DO ACRE (1)

Caro Corrêa:

Para não espaçar tanto minha contribuição daqui destas bandas com seu atraente Espaço Livre on-line, estou propondo escrever “Cartas do Acre”, numeradas e tratando de assuntos diversos de uma forma solta, menos formal que o artigo ou a crônica. Acho que as “cartas” são até mais atrativas quando curtas e despretensiosas. Estou escrevendo a número 1 e se você aprovar, junto com seus leitores, logo emendo seqüência, quiçá semanal.

Acompanho sua luta diária, sobretudo na “Geléia Geral”, e percebo o quanto o povo do Amapá lhe deve por conta da trincheira democrática, ética, corajosa e apaixonada que você mantém com elogiável esforço e competência. Se depender de mim, velho amigo, seu Espaço Livre será cada vez mais livre e atraente para a felicidade de todos os amapaenses de boa índole.

Aqui por estas cabeceiras tem havido muita festa pelo centenário do Tratado de Petrópolis, assinado em 1903 e que garantiu a anexação das terras cobiçadas pela Bolívia mas ocupadas pelos nordestinos, ao Brasil. Como eu tive envolvimento, nos anos setenta e oitenta do século XX, com as lutas empreendidas por Chico Mendes e os seringueiros e índios acreanos, e porque sou acreano de nascimento, também figurei entre as 100 personalidades homenageadas ganhando um belo diploma e uma réplica da espada de Plácido de Castro. Acho que vou lhe mandar uma cópia em VHS dessa grande festa, em que pontearam acreanos ilustres como Armando Nogueira e Glória Perez, ambos globais (TV Globo).

O governador Jorge Viana tem o estilo “trator” de governar: quando encasqueta uma coisa, passa por cima de pau e pedra- e de assessores também,- mas faz e faz bem. É um marqueteiro e tanto, e por isso recebe aplausos de um lado e críticas pesadas de outro. De qualquer modo, o homem ultrapassa os 70% de ótimo e bom nas pesquisas de aceitação popular. Mas também comete errinhos que já conhecemos daí: por exemplo, achar que ganhar prêmios até na “Cochichina” ajuda a convencer que a vida está melhorando para os que vivem na periferia amazônica sem emprego, sem transporte e sem outras coisas dos remediados.

De qualquer modo, o Acre andou no fundo do poço antes do PT chegar ao Governo do Estado mas já emergiu. O matador coronel da PM e deputado federal, Hildebrando Pachoal, continua mofando na cadeia em boa companhia; e as perspectivas da economia acreana crescer com sustentabilidade são reais. O Jorge Viana quer criar aqui uma forte economia florestal com a exploração de madeira certificada, o que parece fazer sentido: como o que mais temos por aqui é madeira, e sempre os madeireiros dão um jeito de ir tirando essa riqueza de forma ilegal, é melhor pensar numa forma inteligente e legal de exploração. E fazer figa para que dê certo.

Por aqui a novidade, além do centenário do Tratado de Petrópolis, é um livro sobre pedofilia que deixou em polvorosa figurões locais. Ainda não o vi, mas me disseram que a obra expõe também alguns pedófilos paraenses e amapaenses, alguns mantidos até então fora da mídia. O mais famoso pedófilo local, já colocado nas grades e que, sendo caso recente, não consta do livro é o poeta e jornalista Antônio Manoel Camelo, professor universitário e até outro dia um dos cabeças do PT. A revelação comprovada num caso doloroso para uma criança chocou todo mundo. Antônio Manoel exercia a função de Coordenador da Assessoria da Juventude, agora transformada em Secretaria e entregue a um jovem sem problemas.

Bom, continuo com dificuldades de saber o que o governador Waldez Góes quer fazer do Amapá. As notícias que leio no seu site e mais recentemente na “Folha do Amapá” são desanimadoras. Às vezes, até imagino que quem ganhou e eleição foi a turma do azul corrupção tão nossa conhecida! Não dá para pensar em algo assim? O estilo cafona e a facilidade com que aplicam o dinheiro público em coisas mal explicadas (a feira agropecuária foi um caso vergonhoso), a presença de figuras estranhas e gulosas como esse “gut” não sei de quê, todo poderoso...Olha, Corrêa, espero que os céus ouçam suas preces e salvem o Amapá desses ventos ruins. Como vai sua criação de patos selvagens na ponta do trapiche? Um grande abraço. (EM)