APRENDER A APRENDER

A chamada escola nova foi provavelmente a primeira iniciativa pedagógica que procurou superar as limitações da pedagogia tradicional.

Enquanto a educação, na escola tradicional, era centrada no professor e no conteúdo, a escola nova vai focar seu interesse no aluno, que será visto como sujeito de sua aprendizagem. Essa nova abordagem foi resumida na expressão “Aprender a aprender”. Ou seja, a escola não deve repassar necessariamente conteúdos, mas deve despertar nos alunos a capacidade deles mesmos serem capazes de aprenderem. Representantes dessa corrente são a italiana Maria Montessori e o norte-americano John Dewey.

Ao contrário da pedagogia tradicional, que via a criança como um adulto pouco desenvolvido, a pedagogia nova vê a criança como um ser completo que passa por fases, sendo que o aprendizado deve se adequar a essas fases. Não é à toa que uma das primeiras providências de Maria Montessori foi mandar construir móveis próprios para as crianças. Faze-las utilizarem móveis de adultos era um desrespeito a elas.

Esse paradigma privilegia a atividade prática, que deve ser realizada em grupo e não individualmente, pois a integração ao grupo é visto como essencial para o desenvolvimento social. Assim, ao aluno é apresentado um problema que deve ser resolvido. Ao professor cabe prover o aluno das informações e instruções que lhe permitam descobrir soluções. Ao contrário da pedagogia tradicional, o professor não demonstra a situação para o aluno. Ele apenas o orienta para que ele chegue às suas próprias soluções.

A vivência democrática é a base dessa postura. Os alunos devem ser capazes de atuarem em uma democracia e para isso é necessário não a disciplina, mas a auto-disciplina. Aluno disciplinado é aquele que é solidário, participante, respeitador das regras do grupo. Segundo Dewey, “o aprendizado se dá quando compartilhamos experiências e isso só é possível num ambiente democrático, onde não haja barreiras ao intercâmbio de idéias”.

Esse paradigma é essencialmente empirista, pois acredita que o conhecimento surge da experiências vivenciadas. O método Montessori, por exemplo, privilegia os sentidos, dando às crianças materiais que lhes permitam experiências com o uso dos sentidos: o tato, a visão, a audição, o olfato. Até mesmo aprender a ler e escrever é decorrência da experiência dos sentidos (como as letras em relevo para que as crianças pudessem acompanhar as formas com os dedos).

Além do enfoque no aluno, os professores da nova escola têm a crença de que as crianças querem aprender, ao contrário da pedagogia tradicional, segundo a qual a criança não tinha interesse nenhum pelo conhecimento e, se não estivesse sob uma disciplina rígida, de castigos e punições, não aprenderia nada.

A relação professor-aluno também diferia muito da escola tradicional. Na escola tradicional, os professores raramente sorriam, pareciam não gostar dos alunos e os castigavam pelos mínimos motivos. A relação era fria e distante, pois qualquer envolvimento emocional poderia comprometer o resultado do trabalho pedagógico. Na nova escola, ao contrário, o professor tem uma relação afetiva com seus alunos e o aprendizado só pode se realizar num ambiente de companheirismo e democracia.

Infelizmente são poucas as escolas que se propõe a ensinar o aluno a aprender a aprender. Muitas escolas apenas utilizaram a escola nova como desculpa para diminuir a importância dos professores. Na maioria das instituições de ensino, o que vale ainda é a pedagogia tradicional.

BIBLIOGRAFIA

FABRA, Maria Luísa. A nova pedagogia. Rio de Janeiro: Salvat, 1979.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez, 1990.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.

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