O Céu e o inferno

Já imaginaram se o paraíso fosse como o INSS? O sujeito morre e vai para o céu. Lá, o porteiro o informa que ele deve pegar uma senha e esperar. Depois de horas, ele finalmente chega à atendente.

- O que o senhor deseja?

- É que eu... bem... morri e...

- O senhor trouxe seu atestado de óbito?

- Não. É que não me disseram...

- Como posso saber se o senhor está morto, se o senhor não me trouxe o seu atestado de óbito?

E lá se vai o homem atrás do atestado de óbito. Volta dois dias depois, com o documento na mão.

Depois de enfrentar outra fila, chega finalmente ao guichê.

- Aqui está o atestado de óbito.

- Trouxe também as declarações?

- Que declarações?

- Declarações de que o senhor foi uma boa pessoa. De pelo menos cinco pessoas.

Três dias depois o homem volta.

- Aqui estão as declarações.

- Ih, o senhor não entendeu. As declarações precisam ser feitas em cartório.

- Mas as assinaturas estão reconhecidas em cartório.

A mulher balançou da cabeça em reprimenda.

- As declarações precisam ser feitas em cartório. Não basta reconhecer as assinaturas...

Três dias depois, o homem está de novo na fila.

- Aqui estão as declarações. Feitas em cartório, como a senhora pediu...

- Oh, está tudo aqui. Mas, sinto muito. O senhor perdeu o prazo para entrar no paraíso. Agora só lhe resta tentar o inferno...

O homem olhou preocupado para a atendente:

- A senhora vai estar lá também?

 

ivancarlo.weblogger.com.br