PLÁGIO

Há algum tempo escrevi uma nota em meu blog sobre os alunos que, para não terem o trabalho de pesquisar e produzir seu próprio texto, entram na internet, copiam o texto e colam em seu trabalho, mudando apenas o nome do autor (e, claro, colocando o deles no lugar).

Uma leitora deixou um comentário dizendo que era infatilidade minha achar que o plágio é pernicioso e que ela agride a inteligência do professor. “O mundo é movimentado pelo plágio, se não fosse ainda andaríamos com a roda de pedra”.
É preocupante que alunos universitários ainda recorram ao plágio, mas é mais preocupante ainda que haja pessoas dispostas a defendê-lo, pessoas que acham que o plágio é normal e faz parte da vida.

Essas pessoas, na maioria, confundem plágio com citação ou embasamento. A citação é o embasamento são procedimentos normais em qualquer área de conhecimento e são o que permitem a evolução do conhecimento. Já o plágio é não só altamente recriminado, como é crime, segundo a lei 9610, de 19 de fevereiro de 1998.

Segundo essa mesma legislação, no artigo 46, o direito à citação é assegurado para fins de crítica, estudo ou comentários, desde que sejam apenas trechos e seja citados o nome do autor e a origem da obra. A legislação, além de explicar o que é uma citação, o diferencia do plágio. Usar uma frase de um autor, ou uma idéia dele e colocar em meu trabalho, indicando que aquela frase ou aquela idéia não é minha é citação. Tentar fazer com que as pessoas acreditem que determinada frase ou idéia é minha, isso sim é plágio. Mas a legislação deixa claro que isso só pode ser feitos com trechos de obras. Alguns alunos espertos copiam e colam todo um texto da internet e, pelo fato de terem tirado o nome do autor, colocando o deles no lugar, e feito uma ou outra pequena mudança, como colocar a referência do texto na bibliografia. Por mais que eles argumentem que se trata de uma citação, não há como negar: trata-se de um plágio.

A citação é a base da ciência e da filosofia. Todo grande autor utiliza o conhecimento anterior a ele para avançar a partir daquele ponto. Newton dizia que só tinha sido grande porque havia subido no ombro de gigantes.

Não há nada de errado em usar as informações coletadas por outras pessoas e avançar a partir delas. O que não posso fazer é pegar essa informação pronta e sair por aí dizendo que fui eu que a inventei.

Vamos a um exemplo ilustrativo: o avião. Eu poderia pegar as anotações de Santos Dumond e construir um 14 bis para mostrar para as pessoas e dizer: Veja, fui eu que inventei. Isso seria plágio. Ou eu poderia utilizar os avanços de Santos Dumond para construir um avião melhor. Isso não seria plágio (e seria muito elegante da minha parte dizer que só consegui chegar a esse avião melhor porque usei as descobertas de Santos Dumond).

Por outro lado, temos de fazer uma separação entre as informações que têm um autor definido e aquelas que já fazem parte do conhecimento da humanidade, já de domínio público. Por exemplo, se digo que a Terra é redonda, não preciso referenciar. Todos sabem disso.

Um mundo em que fosse impossível usar as informações criadas ou coletadas por outras pessoas seria um mundo parado. Nada se faria porque as pessoas estariam continuamente precisando repetir o que fez a geração anterior.

Mas, por outro lado, um mundo em que o plágio fosse a regra, também seria um mundo parado. Se cada geração plagiasse a anterior, ainda usaríamos rodas de pedra.

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