PSICOPATAS

A revista Época desta semana traz uma matéria de capa sobre psicopatas. O tema é mais importante do que aparenta. Muitas pessoas não sabem, mas convivem diariamente com psicopatas, pessoas acima de qualquer suspeita, super-simpáticas, solícitas, com grande poder de convencimento, mas que a qualquer momento podem se revelar frios e violentos. São indivíduos que provavelmente nunca tiveram passagem pela polícia, mas vivem de prejudicar os outros. A literatura eternizou esse comportamento na figura do Médico e do Monstro.

Para mim o assunto tem maior importância ainda, pois já fui vítima de um psicopata e descobri o quanto eles são inteligentes e até onde vai a sua capacidade de convencimento. Eu posso mostrar todas as provas, posso mostrar os depoimentos das testemunhas, posso mostrar o laudo pericial, posso mostrar até mesmo a confissão do indivíduo em questão, ainda assim, qualquer um que tenha contato com ele se convencerá que eu estou errado e ele é a vítima da história.

O psicopata não precisa de provas materiais do que está falando. Basta a sua incrível capacidade de argumentação e a certeza de que ele conseguirá convencer as pessoas mais inteligentes e mais preparadas. Que o digam todos aqueles que, mesmo depois de avisadas do caráter dos psicopatas, ainda assim se tornam vítimas dos mesmos...

Os psicólogos têm diferenciado entre os psicopatas malévolos (categoria na qual se encaixariam os ditadores como Hitler e os assassinos em série) e os psicopatas carentes de princípios ou psicopatas comunitários. Esse último tipo é o mais comum e muitos de nós convive diariamente com seus representantes.

Segundo Geraldo José Ballone, autor do site Psi Web (http://www.psiqweb.med.br), os psicopatas carentes de princípio exibem com arrogância um forte sentimento de auto-valorização, indiferença para com o bem estar dos outros e um estilo social continuamente fraudulento. Existe neles sempre a expectativa de explorar os demais.
Sua principal arma é uso de mentiras, muitas vezes sem qualquer utilidade prática. O psicopata mente por mentir, para testar sua capacidade de convencimento e melhorá-la. Caso um psicopata seja pego em uma mentira, ao invés de se corrigir, ele busca aperfeiçoar sua técnica, afim de não ser mais desmascarado. Muitas vezes, mesmo depois de descoberta a farsa, eles conseguem reverter o jogo e fazer parecer que são vítimas.

Os psicopatas escondem suas reais intenções debaixo de uma aparência de amabilidade e cortesia. Assim, eles ganham a confiança da pessoa até se sentirem seguros para dar o golpe. Ou seja, um psicopata só age quando você sente tanta confiança que seria capaz de entregar a chave de sua casa para ele.

Há algum tempo um psicopata se fez passar por filho do dono da companhia aérea Gol e, apesar de estar com um celular do tipo tijolão e muito mal vestido, conseguiu enganar centenas de pessoas. Durante uma semana ele se hospedou nos melhores hotéis, utilizou jatinhos de companhias de táxi aéreo e desfrutou da confiança de atores e diretores da Rede Globo. Depois de descoberta a farsa, muitas de suas vítimas não conseguiam acreditar na verdade.

Na década de 80, um indivíduo se apresentou como doutor em economia e foi contratado como professor da consagrada Fundação Getúlio Vargas. Ninguém se lembrou de pedir dele as comprovações de sua titulação. Algum tempo depois, descobriu-se que ele não tinha terminado nem mesmo o ensino médio. Envergonhados, diretores e professores da FGV admitiram que haviam sido enganados por uma retórica bonita, mas carente de conteúdo.

Todos nós conhecemos casos semelhantes. É a pessoa que é convencida a tirar uma geladeira no cartão para um amigo, que depois se recusa a pagar, é o conhecido que fica tomando conta da casa enquanto a família viaja e rouba uma infinidade de pequenas, mas valiosas coisas cuja falta não é percebida imediatamente... Nesses casos, há apenas duas certezas: 1 - o inocente terá que arcar com o prejuízo; 2 - o psicopata conseguirá convencer a todos de que é apenas uma vítima.

É muito difícil escapar de um psicopatas, mas preste atenção aos pequenos indícios. Grande capacidade de convencimento e o uso constante de mentiras, mesmo em situações em que elas não têm qualquer utilidade são fortes indícios de que se está lidando com um psicopata. Outros sintomas são a incapacidade para terminar cursos (apesar da grande inteligência), relacionamentos e amizades de curta duração e a ausência de remorso. Os psicopatas também trocam de emprego a cada seis meses, isso quando têm emprego (a maioria vive apenas de pequenos golpes).

O psicólogo Ricardo de Oliveira Souza, entrevistado pela Época, explica como se defender desse tipo de gente: “A defesa é negar empréstimos, não deixar que ocupem posições de decisão, não os mandar fazer pagamentos, nem lhes confiar objetos de valor”.

ivancarlo.weblogger.com.br