TEORIAS E NÃO TEORIA DA COMUNICAÇÃO

 

Ivan Carlo

 

Em viagem de férias em Belém, tive oportunidade de conhecer o professor Raul Reis, da Universidade da Califórnia. A curiosidade mútua foi ocasionada pelo fato de que na época lecionávamos a mesma disciplina: teorias da comunicação. Ele na Universidade da Califórnia, eu na Faculdade Seama. Isso fez com que conversássemos longamente sobre as diferenças e semelhanças entre o ensino das teorias midiológicas em Macapá e na terra de Tio Sam.

Curiosamente, as semelhanças são maiores que as diferenças. Nos EUA, a tônica é dar uma visão geral das várias teorias que se debruçaram sobre o fenômeno comunicacional. Nenhuma delas conseguiu explicar de maneira absoluta a sociedade de massas o que faz com que a tendência atual seja confrontar os vários paradigmas, dando ao aluno uma visão crítica sobre cada uma, daí o plural: teorias.

Não é espantoso, já que todas as comissões do MEC que já passaram pela Faculdade Seama sempre elogiaram o conteúdo de teorias da Comunicação lecionado por aquela instituição e que foi elaborado por mim na época em que era coordenador do curso. Mas receber um aval semelhante de um professor de uma conceituada instituição de ensino norte-americana sempre faz bem.

O conteúdo de teorias lecionado na Seama tem quatro pilares básicos: o Funcionalismo, a Escola de Frankfurt, a Cibernética e a Semiótica. Meu interlocutor elogiou muito essa disposição. Segundo ele, a internet tem provocado um resgate da teoria cibernética, única capaz de explicar o mundo virtual. A semiótica é mais característica da Europa e pouco estudada nos EUA, país que tem ênfase muito grande no funcionalismo. Com essas quatro teorias, os alunos amapaenses têm uma visão geral do que as teorias clássicas, independentes de lugar ou orientação ideológica, descobriram a respeito da comunicação.

Como complementares, estudamos a escola latino-americana (que muitos consideram apenas uma continuação da Escola de Frankfurt), a psicologia das massas, os Cultural Studies, a midiologia e os autores e teorias contemporâneos da comunicação.

Com isso os formandos têm uma base teórica sólida, digna de elogios da presidente da Intercom, professora Cicília Peruzzo, que ficou impressionada com a qualidade dos trabalhos de iniciação científica apresentadas no IV SIPEC Norte.

Em pesquisa realizada em 1998 pela Unicamp, foram entrevistados os responsáveis pela seleção de profissionais nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e editora Abril. Os três foram unânimes em dizer que não querem um aluno que tenha apenas conhecimento técnico. Hoje é valorizado o profissional com sólida formação cultural e conhecimento teórico aprofundado sobre sua área de saber.

A graduação, segundo as novas diretrizes do MEC, precisa deixar de ser um espaço de transmissão/aquisição de conhecimento para transformar-se num espaço de construção/produção de conhecimento. É também o que me dizia o professor da Universidade da Califórnia. Nos EUA, país que inventou o pragmatismo, a ênfase está sendo atualmente dada para a reflexão da prática comunicacional baseada em uma visão ampla das diversas teorias da comunicação.

É agradável saber, que, enquanto outras instituições mais antigas continuam dando uma visão da comunicação limitada a apenas uma teoria, estamos, aqui em Macapá, dando uma base teórica e crítica equivalente à das melhores instituições do Brasil e dos EUA.