O uso da imagem de Lula

De uns tempos para cá, o presidente Lula não tem utilizado a sua frase predileta. Pode estar guardando-a para pronunciá-la ao cabo das eleições municipais, quando poderá dizer:

“Nunca antes neste país, um presidente elegeu tantos prefeitos como eu”.

Com o devido pedido de licença ao presidente Lula, vale a pena arriscar que “nunca antes neste país” os candidatos da base aliada brigaram tanto para ter o direito do uso da imagem de um presidente da República em eleições municipais.

O número de candidatos a prefeito da base aliada de um presidente da República é o maior, com certeza, em todos os tempos desde a redemocratização do país.

Vale lembrar, que nas eleições municipais de 1996, no auge da popularidade do Plano Real, não existiam tantos candidatos disputando colar sua imagem a de FHC, como hoje existem querendo fazer o inverso com Lula.

Em vista disso, o PT anunciou que iria a Justiça Eleitoral para impedir que outro partido da base aliada usasse a imagem de Lula.

A intenção do PT foi dedurada ao presidente Lula pelo ministro baiano Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Ao tomar conhecimento da vontade do PT, o presidente Lula desautorizou a iniciativa petista e autorizou os 14 partidos que o apóiam a usarem sua imagem nas eleições municipais de 2008.

Lula sabe que sua imagem é uma via de mão dupla.

Quem a usar pode tirar alguma vantagem, mas a recíproca é verdadeira, pois Lula consolida a imagem de grande eleitor, principalmente em pleitos como o de Lauro de Freitas, onde os dois candidatos pertencem a sua base de apoio no Congresso Nacional.

Ganhe Moema Gramacho (PT) ou Roberto Muniz (PP), o grande vencedor é Lula que fez o prefeito.

O mesmo vale para Mata de São João: João Gualberto (PP) x Márcia Dias (PMDB), Madre de Deus: Nita (PMDB) x Gandarela (PT), Rondonópolis: Sachetti (PR) x Pátio (PMDB) ou Macapá, onde existem seis candidatos da base aliada do presidente e assim sucessivamente onde tiver mais de um candidato da base de Lula.

Em Salvador, quem ganha com a decisão do presidente Lula é o prefeito João Henrique (PMDB), que já vem usando a imagem de Lula e uma adaptação de sua marca na campanha reeleitoral, pois poderia ser obrigado a retirar Lula da campanha, caso uma possível ação petista vingasse na Justiça Eleitoral.

A decisão de Lula abateu no nascedouro a ofensiva do PT baiano junto a Justiça Eleitoral para impedir que a imagem de Lula fosse usada por qualquer outro aliado no estado.

A atitude do PT prejudicaria a intenção de Lula que aposta sair das eleições de 2008 como um grande eleitor com reflexos e dividendos para sua sucessão em 2010. Daí o presidente ter cortado o mal pela raiz.

Mas, como o PT às vezes desafia Lula, quem sabe o partido não insista na tese de recorrer a Justiça Eleitoral.

Se o fizer, criará um grande mal estar para Lula, que com certeza será obrigado a fazer cumprir o seu desejo custe o que custar.