“No limite da irresponsabilidade”
Os presidentes dos três partidos que fazem oposição
ao governo Lula divulgaram, na quarta-feira, 3, uma nota oficial sobre
a grampolândia. O texto é aberto com uma afirmação
leviana:
“O Brasil vive hoje uma situação de grave crise
institucional. Um atentado a dois dos principais pilares do Estado
Democrático de Direito acaba de ser realizado por um órgão
– a Agência Brasileira de Inteligência – ligado
diretamente ao presidente da República.”
Vejam que o trio dá como líquida e certa a autoria
do grampo que pilhou um senador e o presidente do Supremo, acusando
peremptoriamente a Abin, sem ter um prova sequer.
No parágrafo seguinte afirmam: “O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva recebia relatórios periódicos baseados
nesses grampos ilegais”. Essa é uma acusação
grave e, também, leviana, pois não existem provas que
isso tenha acontecido.
A nota se torna enviesada, quando o trio afirma que “a mera
hipótese de que esse fato venha a permanecer não-esclarecido...”.
Como não esclarecido, se eles creditam a autoria líquida
e certa a Abin?
Os três partidos “manifestam extrema preocupação
com violações tão graves e declaram sua indignação
diante da reação frouxa do Presidente da República
e de seus auxiliares imediatos”. Ora bolas, Lula até
surpreendeu ao afastar a cúpula da Abin, coisa que não
fez em episódios mais graves de seu governo.
A partir daí o trio se perde com citações do
tipo “o antídoto contra o veneno do autoritarismo”,
uma retórica besta com intuito de jogar para a platéia.
O trio encerra a nota, apelando ao Judiciário “para
que se engaje decididamente na apuração dos fatos delituosos”.
E pedem ao Parlamento, do qual fazem parte, “que saia da letargia”.
A nota é muito ruim, principalmente pelo tom alarmante e de
uma comoção nacional que inexiste no coletivo da Nação.
Será que os presidentes do PSDB, PPS e DEM não têm
conhecimento, que os classificados dos principais jornais deste país
há muito tempo veiculam anúncios vendendo serviços
de grampos telefônicos?
Será que eles se esqueceram que o ex-presidente Fernando Henrique
foi grampeado à época das privatizações
das operadoras estatais de telefonia, que ficou marcado pela frase:
“No limite da irresponsabilidade”.
Ora bolas, se o mundo não caiu naquela época, por que
caíra agora com a exposição pública de
uma conversa frívola entre um senador e o presidente do Supremo.
Estão fazendo uma tempestade em um copo d’água,
principalmente por uma maleta é a vedete do episódio.