Sobre o "Dever Cívico"
Márcia

Gostei do artigo.

Apenas, uma observação quanto a citação de Marshal Berman: ( Tudo que é sólido....), é na realidade uma construção tautológica sobre algo que Marx já havia formulado há muitos anos no Manifesto Comunista ( ver textos abaixo). Considerando que Marshal é marxista, tenho certeza que ele "bebeu" o título do seu livro na fonte do mestre. Como, ainda, não o li, não sei se ele deu o crédito.

Abraço
La-Rocque

A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais. A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. Essa revolução contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes. Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas; as relações que as substituem tornam-se antiquadas antes de se ossificar. Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas.


Os adeptos da continuidade dirão que a incerteza é resultado de bruscas mudanças na modernidade, e portanto, nenhuma novidade atualmente. É certo que Marx já dizia: "tudo o que é sólido, desmancha no ar"; a tradição começa seu processo de desmantelamento. Juntamente com Marx, Nietzsche reconhece que as coisas na modernidade estão impregnadas de seu contrário, mudam rapidamente e já nada parece seguro. Porém a incerteza pós-moderna apresenta uma intensidade sui generis; nada chega a ser sólido e já desmancha no ar; ela chegou à "excrescência" ("que se desenvolve de modo incontrolável"- J.Baudrillard).