Irmã Dorothy

Tua nacionalidade, que importa?
A pátria do amor te absorveu
Tua pele alva, que importa?
A floresta tingiu tua alma de justiça
O azul dos teus olhos, que importa?
O braço dado com o povo da terra te redimiu

E nem todo o sentimento
Nem toda força da fé
Nem todo desapego
Livraram-te da morte

A sombra do homem incompleto
O rastro do ser obscuro
A bestialidade do ódio
A loucura da ambição

Então sinto saudades de ti
E nem conheci teu sorriso
Sequer vi teu caminhar certeiro
E quero seguir teus passos
Como um cego à procura de luz

Abre as asas para o sol
Clara irmã dos amparados
Teu algoz já não existe
No país que hoje é triste
E a manhã chora por ti

Quero a Terra mais que pura
A água mais que doce
O ar ainda mais sutil
Quanto ao fogo
Quente e terno

O universo em concílio
Raro e efeito luminoso
Deus a te esperar preciso
Todo ele em expansão

Vem minha linda
Dá aqui um abraço
Seca a lágrima transparente
Foi plantada tua semente
Nas lonjuras daquele chão

Márcia Corrêa