Fernando Henrique não sabe de nada

Fernando Henrique disse no exterior que o programa de combate à fome proposto por Lula é “assistencialismo” e o chamou de “retrocesso”. Disse também que não há fome no Brasil, fazendo um paralelo infeliz com os países mais pobres da África. Fome, aquela dor que dá na gente quando o corpo pede comida. É quando se abre o armário, quando há armário, e ele está vazio. É quando se destampa a panela e ela está oca. É quando se revira o bolso e ele nem dá sinal. É quando o filho chora fininho, de olho espichado e não há o que faça passar sua dor.

Esse filme Fernando Henrique não viu. Mas, é explicável. Não se tem notícia da caravana do FHC pelo Brasil, por exemplo. Na casa dele os pobres não batem para pedir comida, os seguranças não deixam e o apartamento de sua família fica lá no alto. Ou seja, o FHC, coitado, não conhece o Brasil que governou por oito anos, vejam só que interessante.

Se não há fome o que é isso que nos rodeia por todos os lados. Não precisa ter passado fome para saber que ela dói. Não precisa o Brasil chegar à situação da Somália para que se enxergue a pobreza de seu povo. Não é preciso que as crianças exibam suas costelinhas magras e sua pele desnutrida para que a realidade nos cobre providências todos os dias. Meu Deus, é quase inacreditável que esse homem nos governou por longos oito anos.

O Fernando Henrique é esquemático, burocrático. Parece um anuário estatístico chapa branca repetindo dados oficiais arrumadinhos, que mostram um Brasil irreal, um Brasil emplumado, intelectualizado, com ar de aluno aplicado do FMI. Arg! Ainda bem que passou.

A página virou. A era agora é Lula, combate à fome, pé na estrada, manga arregaçada, cheiro de povão. É tempo de solidarizar-se, doar-se, investir no outro, dar as mãos numa imensa corrente de compaixão. Assim mesmo com esse sentimento cristão, que consegue chegar ao coração da gente, fazer as lágrimas descerem com o sofrimento alheio, provocar reações de humanidade nas almas mais ariscas.

É tempo de doação e o Brasil, esse que a gente vê todo dia, está embriagado de solidariedade. Por todos os lados o que se vê são mobilizações de combate à fome, pelo Natal das crianças, pelo auxílio aos mais necessitados. Estudantes, trabalhadores, donas de casa, está todo mundo engajado em alguma campanha, em algum movimento. Essa é a grande vitória, a co-responsabilidade, o andar juntos, o movimentar-se em parceria. Valeu Betinho, irmão querido de todos os brasileiros. Esse vai ser o Natal mais solidário de todos os tempos.

Márcia Corrêa
22.11.02