Do fundo do coração

Pai,
Vim te pedir pela Terra
Tua doce criação chamada mundo,
Que vagueia pelo espaço
Carregando, alimentando,
Suportando o jugo da raça humana.

Pai,
Nos deste a casa limpa e farta
Para que tivéssemos abrigo seguro,
Alimento em abundância
E tamanha beleza a elevar nossos espíritos.

Nos deste os instrumentos,
Da inteligência ao sentimento.
Nos deste tudo em quantidade
Na mais perfeita equidade.

E o que fazemos, pai?
Cercamos pedaços da terra
Para nos apossarmos dela.
Matamos para dominarmos
Aquilo que entregaste a todos
De bom grado.
Devastamos as matas ricas,
Encantadas.
Em brutal desrespeito às tuas leis.

Agredimos os rios,
Mananciais de vida,
Solicitude divina.
Maculamos o ar
Com a fumaça da ambição.
Usurpamos as cadeias perfeitas
Que sustentam os ecossistemas.
Disputamos as riquezas do solo,
Acumulando nas mãos de poucos
O que foi entregue a todos.

Piedade, pai!
Que tua imensa bondade nos perdoe
E nos mantenha sob a tutela dos anjos.
Pois que somos ameaça a nossa própria espécie.
Nos ensina a amar nosso lugar,
Como amamos nosso corpo visível e nossa alma.
Pois que tudo se entrelaça.

Nos revela a luz do entendimento
Para que possamos cuidar da Terra
E compreendê-la como organismo vivo,
Casa do homem encarnado.
Nos mostra a translúcida felicidade
De alcançarmos o mundo com generosidade,
Sentido coletivo, olhar fraterno,
Solidariedade.

Márcia Corrêa
Em 29.04.04