13-5-2002

Às nossas mães

Mãe de todos os dias. Mãe solteira, mãe casada; com cinco, dez filhos; esperando o primeiro na barriga arredondada. Mãe nos prédios, nas pontes, nas favelas, trazendo pelas mãos a meninada. Lá vem ela.

Mãe de dia e de noite. Dor do parto, da partida. Solidão, alma dividida. Mãe que rala todo dia, vende bolo, varre rua, limpa casas, planta mandioca e colhe ninharia.

Mãe valente, coragem viva. Rasgo de afeto, mártir e diva. Mãe no riso e na dor, no sim e no não, no suor e no amor. Mãe na janela, esperança na praça. Maio de flores, saudade chorada na lembrança do filho desaparecido.

Mãe que não cansa. Busca incessante por Justiça, paz e qualidade de vida. Mãe de joelhos, prece sentida, coração apertado, panela vazia. Olhar assustado, esperança perdida. Mãe que levanta, sacode a poeira, enxuga os olhos, encontra a saída.

Mãe natureza farta e bela. Mãe Terra, mãe das matas e das águas. Mãe de todas as mágoas. Mãe que ensina o caminho de volta e o caminho de ida. Mãe de leite, deleite. Memória mais que querida.

Mãe para toda a vida

Márcia Corrêa